La Manada. 18 meses em vez de 6 anos de prisão para quatro membros do grupo por abuso sexual

Os quatro homens - já condenados a 15 anos de prisão no caso ocorrido em Pamplona - foram agora punidos por abuso sexual e crime contra a privacidade de uma mulher em Córdoba. Pelo abuso sexual levaram penas de ano e meio de prisão, o que já motiva protestos.

Quatro membros de La Manada - grupo de cinco homens envolvido numa violação coletiva de uma mulher de 18 anos em julho de 2016, durante as festas de San Fermín em Pamplona -, foram esta quinta-feira condenados por outro abuso sexual ocorrido em Córdoba, na Andaluzia, em maio de 2016. Por este caso e pelo crime de abuso sexual, foram condenados a penas de 18 meses de prisão. Mas, além de abuso sexual, o Tribunal Penal de Córdoba também os condenou por um crime contra a privacidade, com penas que variam entre 16 meses e três anos. Mas as penas ficam abaixo dos seis anos de prisão (dois por abuso sexual e quatro por crime contra a privacidade) pedidos pelo Ministério Público.

Este novo processo resultou da investigação efetuada ao caso inicial conhecido como La Manada. Em 2018, foram a tribunal acusados de violação coletiva a uma jovem de 18 anos durante as festividades de San Fermin em Pamplona. Mas acabaram por ser condenados apenas por abuso sexual, por não ser provada o uso da força para violação, o que motivou protestos de milhares nas ruas espanholas. Em junho do ano passado, o Supremo espanhol reverteu a sentença, considerou ter havido violação e condenou os cinco indivíduos a penas de 15 anos de prisão.

No inquérito a esse caso foram descobertas imagens de vídeo nas redes sociais que mostravam uma situação semelhante que envolvia quatro homens de La Manada a abusarem de uma mulher numa carrinha. O vídeo foi por eles gravado e divulgado no WhatsApp. Foi este processo que teve agora desfecho em primeira instância com a condenação de José Prenda, Alfonso Cabezuelo, Jesús Escudero e Antonio Guerrero,

No julgamento, iniciado em novembro passado, era decisivo saber se o vídeo, sobre o qual não há dúvida do conteúdo, tinha sido obtido legalmente pela Polícia. A defesa dos arguidos argumentou que não, que a polícia tinha recolhido provas no telemóvel de um dos suspeitos sem autorização. O juiz não considerou assim.

A maior pena foi aplicada a José Angel Prenda, ex-elemento da Guardia Civil, condenado a três anos de prisão por um crime contra a privacidade e um ano e seis meses por abuso sexual. Na última sessão do julgamento, relata o El Mundo, Prenda usou da palavra para se declarar o autor dos vídeos que provaram o abuso sexual da vítima de 21 anos, tendo afirmado que os outros arguidos não sabiam que as imagens tinham sido colocadas nos grupos do WhatsApp La Manada e Peligro.

Mas o juiz considerou que o crime contra a privacidade foi cometido pelos quatro membros de La Manada. Alfonso Cabezuelo foi condenado a um ano e quatro meses de prisão por violação da privacidade e a um ano e seis meses por abuso sexual, ao qual foi adicionada uma multa por maus-tratos devido aos ferimentos que causou à vítima. Manuel Guerrero e Jesús Escudero foram condenados a um ano e quatro meses de prisão por um crime contra a privacidade e a um ano e meio por abuso sexual.

Os quatro juntos e solidariamente devem indemnizar a vítima em 13.000 euros.

Esta sentença já motivou reações. A Plataforma Cordovana Contra a Violência contra as Mulheres convocou uma manifestação para esta tarde de quinta-feira, em Córdoba. Objetivo é mostrar a rejeição a uma sentença que considera "vergonhosa" e que "está do lado do agressor", mas também transmitir apoio à vítima.

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