Qual é o máximo de cachorros quentes que uma pessoa consegue comer? A ciência já sabe

Recorrendo a modelos matemáticos e aos dados de 39 anos de uma famosa competição, um cientista calculou a quantidade de cachorros quentes que uma pessoa consegue ingerir em 10 minutos. Os melhores podem superar a capacidade de ursos pardos ou de caiotes, mas perdem para a píton birmanesa e para o lobo.

Um atrás do outro, repetidamente, bocados de pão e de salsicha atafulhados na boca enquanto se tenta comer o máximo num curto espaço de tempo. É este o objetivo do famoso concurso anual, que decorre no feriado de 4 de julho, em Coney Island, Nova Iorque, nos EUA. O objetivo é encontrar o mais rápido a comer cachorros quentes. Mas quantos é que um ser humano consegue ingerir em 10 minutos? A pergunta não ficou sem resposta. Um professor da Universidade de High Point, na Carolina do Norte, pesquisou durante meses e chegou a uma conclusão.

83 cachorros quentes. É este o máximo que um ser humano consegue comer em 10 minutos, de acordo com o estudo realizado por James Smoliga, veterinário e cientista ligado ao exercício físico.

Uma pesquisa que teve como base modelos matemáticos de desempenho humano, que têm em conta o potencial de feitos atléticos extremos, e 39 anos de informação do histórico concurso de Coney Island, promovido pelo restaurante de fast-food Nathan´s Famous.

Tendo em conta a massa corporal daqueles que são os melhores a comer cachorros quentes, os cáculos de Smoliga concluem que eles podem superar a capacidade de um urso pardo ou de um caiote a comer cachorros quentes, mas estão longe da quantidade que um lobo ou uma piton da Birmânia conseguem comer. Uma análise feita com base na quantidade de comida por unidade de tempo.

De acordo com a análise do professor universitário, citada pelo The New York Times, os ursos conseguem comer o equivalente a cerca de oito cachoros quentes por minuto. Já o vencedor da edição deste ano do concurso de Coney Island consegue ingerir 7,5 por minuto. No entanto, afirmou o cientista, os ursos não conseguem manter o ritmo e ficam-se, no máximo, pelos seis minutos.

Ou seja, o ser humano ganha vantagem na velocidade com que come os cachorros quentes, concluiu o especialista.

Uma píton birmanesa pode comer até 75% do seu peso corporal

E quando se fala em rapidez em comer salsichas com pão fala-se de Joey Chestnut, que bateu o seu recorde mundial na competição de Coney Island, ao ingerir 75 cachorros-quentes em 10 minutos, naquela que fgoi a sua 13ª vitória no concurso anual.

Nas mulheres, Miki Sudo ganhou o concurso pela sétima vez ao estabelecer um recorde feminino de 48,5 cachorros-quentes. Devida à pandemia de covid-19, o evento anual realizou-se num modo virtual

Mas nesta competição, os seres humanos perdem para o lobo e para a píton birmanesa. O primeiro consegue comer o equivalente a cerca de 11 cachorros-quentes por minuto. Já a píton birmanesa pode consumir até 75% do seu peso corporal numa única refeição. Seria o mesmo que ver Miki Sudo com mais de 90 quilos a comer 99 quilos de cachorro-quente de uma só vez, exemplificou ao jornal James Hicks, um biólogo que estudou fisiologia das cobras na Universidade da Califórnia.

Mas esta comparação entre animais e seres humanos sobre a velocidade e a quantidade do que comem poderá não ser a melhor forma de antever o comportamento numa competição, dizem outros especialistas. James Smoliga não analisou, por exemplo, a capacidade de estimulação.

Pelo menos sete pessoas morreram por asfixia em competição

Escreve o The New York Times que o facto que determina a quantidade que uma pessoa ou animal consegue comer de uma só vez está relacionada com a capacidade do estomâgo em alargar para albergar o volume de comida ingerida num determinado período de tempo. Foi isso mesmo que determinou um estudo realizado em 2007. Na altura, foi analisado o sistema digestivo de dois homens, um participante em concursos como o de Coney Island e um voluntário que nunca tinha participado neste tipo de competições. O primeiro comeu 36 cachorros quentes e o segundo não foi além dos sete.

Tudo porque o estomâgo do especialista em comer cachorros quentes tinha uma maior capacidade para alargar, concluiu David Metz, professor de medicina no Hospital da Universidade da Pensilvânia e um dos autores do estudo.

Desconhece-se se esta característica observada no voluntário habituado a participar em competições pode ou não ser melhorada com treino. O certo é que todos os que participam nestes concursos melhoram com o tempo. Nunca o contrário, afirmou Metz. Isto significa que o estomâgo de quem compete pode perder a capacidade de voltar ao seu tamanho inicial.

Nestas competições para saber quem come mais depressa e que testam a capacidade do ser humano, pelo menos sete pessoas morreram devido a asfixia.

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