Putin lança pontes para a Europa em "Davos russo"

Juncker insiste que fim de sanções à Rússia só terá lugar se o Kremlin cumprir acordos de Minsk sobre conflito na Ucrânia

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, dezenas de chefes de Estado e de governo, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy e centenas de dirigentes de empresas internacionais estão desde ontem reunidos no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, o "Davos russo" como é referido este encontro anual que se realiza desde 1997.

É o grande momento para o presidente Vladimir Putin tentar restabelecer as pontes com a União Europeia (UE) e conseguir para a debilitada economia russa importantes contratos e novas parcerias internacionais. Para se avaliar da dimensão desta componente, no Fórum de 2015 foram assinados 205 acordos no valor de 3,8 mil milhões de euros.

Ainda que as sanções da UE não sejam levantadas no final de junho, devendo ser prolongadas por mais seis meses, como ontem deixou claro Jean-Claude Juncker, só a presença deste na Rússia é motivo de satisfação para o Kremlin. A deslocação do presidente da Comissão Europeia foi muito criticada por alguns membros da UE, como a Polónia, que consideram uma cedência inaceitável face à atuação russa no Leste da Ucrânia e à anexação da Crimeia. Factos que estiveram na origem das sanções impostas em 2014.

Juncker, que se tornou agora o primeiro dirigente da UE a visitar oficialmente a Rússia, justificou este passo com "a necessidade urgente" de "abordar os problemas existentes nas nossas relações". "Não faria sentido e seria mesmo perigoso ignorarmos" o que separa atualmente o bloco europeu da Rússia, afirmou o presidente da Comissão.

O dirigente europeu disse esperar uma "franca discussão" com o presidente russo e salientou que o único caminho para o fim das sanções "é o cumprimento total dos acordos de Minsk", assinados em fevereiro de 2015, estabelecendo os mecanismos para a resolução pacífica do conflito no Leste da Ucrânia. Embora alguns pontos dos acordos tenham sido cumpridos, o conflito continua a fazer vítimas e os secessionistas pró-russos continuariam a ser militarmente apoiados por Moscovo.

A UE é o principal parceiro comercial da Rússia. Mas devido às sanções, o valor das trocas comerciais caiu para cerca de 211 mil milhões de euros no ano passado face a 374,4 mil milhões de euros em 2013.

Por outro lado, a presença em São Petersburgo de governantes, como o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, que advoga o fim das sanções, ilustra as divergências no interior da UE. Também em França, assinalava ontem a Reuters, a posição face às sanções é algo dúbia, tendo o Senado (onde domina o partido Os Republicanos, dirigido por Sarkozy) aprovado por esmagadora maioria na passada semana uma resolução a pedir o fim gradual daquelas. O que talvez ajude a explicar a presença como convidado especial do ex-presidente francês no Fórum, tendo ontem proferido uma conferência intitulada "Europa: Quo Vadis [Para onde vais]?".

À partida de Paris, Sarkozy não podia ser mais claro, declarando ser contra "a construção de um muro político que divida a Rússia do continente europeu após a queda da Cortina de Ferro".

Para a edição deste ano, que encerra amanhã, esperavam-se dez mil participantes de cerca de 30 países, dirigentes de 600 empresas russas e outros 500 de estrangeiras.

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