PSOE com Pedro Sánchez rouba votos a Podemos. PP de Rajoy cai

Desafio para o reeleito líder dos socialistas espanhóis parece ser continuar a conquistar votos à extrema-esquerda, enquanto cresce ao centro, tirando eleitores ao Ciudadanos.

Durante a campanha para as primárias do PSOE, Pedro Sánchez prometeu levar o partido "tão para a esquerda quanto são os seus militantes e eleitores". A estratégia parece ter resultado e na primeira sondagem desde a sua reeleição como líder do partido, a 21 de maio, os socialistas espanhóis registam uma subida, conquistando votos ao Podemos, a formação de extrema-esquerda liderada por Pablo Iglesias. A subir no estudo da Metroscopia para o El País surgem também os centristas do Ciudadanos. O Partido Popular do primeiro-ministro Mariano Rajoy cai ligeiramente.
Na quinta-feira, Pedro Sánchez afirmava-se "muito próximo dos eleitores do Podemos". Ora estes parecem retribuir, com um décimo dos que nas eleições de junho de 2016 escolheram o partido de Iglesias agora a dizerem que votariam no PSOE. De acordo com esta última sondagem, os socialistas espanhóis conseguem uma recuperação de cinco pontos - chegando aos 22,8% das intenções de voto - em relação a novembro do ano passado, durante o auge da crise, após a demissão de Sánchez da liderança. O descalabro socialista refletia-se nas intenções de voto, então de 17,9%, abaixo do Unidos Podemos (a aliança entre Podemos e Esquerda Unida). Mas como líder, Sánchez já conduzira o PSOE aos seus dois piores resultados em democracia.
Com esta revolução do voto da esquerda, o PSOE parece agora consolidar-se como o principal partido de oposição, com o PP a surgir apenas três pontos à sua frente - com 25,9% das intenções de voto. O partido de Rajoy, à frente de um governo minoritário depois da crise política do ano passado que obrigou a repetir em junho as eleições de dezembro de 2015 por nenhum líder conseguir uma maioria, continua minado pelos casos de corrupção. Uma situação que prejudica a sua imagem, com 96% dos inquiridos pelo estudo da Metroscopia a dizerem-se convencidos que os casos de corrupção não vão ficar por aqui.
Desde o regresso de Sánchez à liderança socialista, Rajoy "optou por lhe dar uma trégua", escrevia ontem o ABC. O último encontro a sós entre os dois data de agosto e antecedeu o Não de Sánchez à investidura de Rajoy. Na altura ficou claro que não havia qualquer química entre eles. Agora, depois de enviar um SMS ao líder do PSOE a dizer "Falamos quando tiveres um minutos", Rajoy recebeu uma chamada de Sánchez que a Moncloa classificou como "normal e fluida". O importante, aos olhos do governo, é que o socialista ofereceu ao primeiro-ministro o seu apoio para travar um novo referendo à independência na Catalunha.
Mas se Rajoy parece poder contar com Sánchez para travar os secessionistas e até talvez em termos de política europeia, num momento em que se aproximam as negociações do brexit, o primeiro embate deve chegar com o debate do orçamento para 2018.
Ciudadanos a subir
Se por um lado, o PSOE de Sánchez conseguiu recuperar votos ao Podemos, por outro perdeu alguns para o Ciudadanos, com uma pequena percentagem dos eleitores que nas últimas eleições escolheram o PSOE a dizerem que vão votar no partido de Albert Rivera. No último ano, os centristas mantiveram a tendência de subida nas intenções de voto. Se nas eleições de junho do ano passado, o Ciudadanos conseguiu 13,1%, elegendo 40 deputados e ficando em quarto lugar, bastante atrás do Podemos - 21,2% e 71 deputados -, agora a formação de Albert Rivera surge com 18,7% das intenções de voto, praticamente empatada com o partido de Iglesias.
No Twitter, Albert Rivera reagiu a estes números garantindo: "Os espanhóis valorizam o trabalho do Ciudadanos, único partido que vem a crescer desde as eleições. Continuamos a trabalhar".
Neste cenário, o El País recordava ontem que "o desafio de Sánchez a partir de hoje é complexo e quase contraditório: continuar a roubar votos à esquerda e crescer ao mesmo tempo para o centro, sem que as estratégias para alcançar estes objetivos se anulem mutuamente".

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