Protesto contra reeleição do presidente causa um morto

A oposição promete resistir até o projeto ser retirado. A sessão para a sua ratificação, marcada para ontem, foi adiada.

A vítima mortal da atual onda de contestação à reforma constitucional que permite a reeleição do presidente paraguaio foi ontem a enterrar enquanto prosseguiam os confrontos entre elementos da oposição e as forças de segurança no centro da capital, Assunção.

Alguns milhares de manifestantes tinham improvisado barricadas e gritavam palavras de ordem contra o presidente Horacio Cartes, enquanto a polícia lançava granadas de gás lacrimogéneo e disparava balas de borracha para os tentar desalojar do centro histórico da cidade. Esta parte da capital paraguaia foi palco de confrontos particularmente graves na sexta-feira, quando manifestantes invadiram e incendiaram o edifício do Congresso. A invasão sucedeu durante a tarde após os senadores terem aprovado o projeto de revisão que altera a disposição da Constituição limitando a um único mandato a eleição do presidente.

Segundo a oposição, Cartes e a formação que dirige, o Partido Colorado, assim como a Frente Guasú, do antigo presidente Fernando Lugo, avançaram com a revisão para que quer este assim como o primeiro se possam apresentar nas presidenciais previstas para 2018.

O projeto tem de ser ratificado na Câmara dos Deputados, onde o partido governamental está em maioria. Para ontem, chegou a estar marcada uma sessão para o efeito, mas o presidente da Câmara acabou por suspender numa tentativa de evitar mais incidentes.

Os bombeiros foram chamados para controlaram as chamas no edifício, que sofreu grandes danos materiais. Após o assalto, os manifestantes foram para as imediações do Panteão Nacional dos Heróis, também no centro histórico da capital paraguaia, onde continuavam ontem os protestos. Até agora, as autoridades efetuaram mais de 200 detenções.

A vítima mortal dos protestos sucedeu após a invasão do Congresso, quando a polícia abriu fogo sobre os manifestantes, tendo atingido um jovem de 25 anos, Rodrigo Quintana, que estava na sede do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA, oposição), invadida pelas forças de segurança e que se situa nas imediações do Congresso.

Segundo o presidente do PLRA, Efraín Alegre, a polícia efetuou disparos no interior do edifício, acabando por fazer alguns feridos. Estes e Quintana, que era dirigente do partido, foram levados para o hospital, mas o jovem acabou por não resistir aos ferimentos. O Ministério do Interior anunciou a abertura de um inquérito ao sucedido e o ministro colocou o lugar à disposição.

Realizado em Assunção, o funeral do jovem acabou por se tornar em mais uma manifestação contra Cartes, com um senador do PLRA, Miguel Saguier, a afirmar que "temos um compromisso com o sangue derramado de Quintana, que não vamos esquecer. A nossa luta continua (...), não vamos descansar até que o projeto seja retirado".

Um porta-voz do PLRA, que tem protagonizado a contestação à mudança constitucional, anunciou que dirigentes e militantes de outras partes do país estavam a chegar a Assunção "para resistir de forma pacífica".

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