Príncipe saudita pede "ação forte" contra Irão e alerta para subida do preço do petróleo

Numa entrevista ao programa "60 Minutos" da CBS, Mohammed bin Salman negou ainda ter ordenado a morte do jornalista Jamal Khashoggi mas, enquanto líder saudita, assumiu a "total responsabilidade", visto o crime ter sido cometido por funcionários do governo.

Os preços do petróleo podem atingir "valores inimaginavelmente altos" se não for empreendida uma "ação forte" contra o Irão, segundo Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita. No entanto, diz preferir uma solução pacífica a uma militar.

"Se o mundo não tomar uma ação forte e firme para deter o Irão, assistiremos a outras escaladas que ameaçarão os interesses mundiais", disse o príncipe herdeiro em entrevista ao programa "60 Minutos" da CBS, difundida este domingo, defendendo, no entanto, que "a solução política e pacífica é muito melhor do que a militar".

Para Salman, os ataques com drones ao maior complexo mundial de processamento de petróleo na Arábia Saudita no dia 14 de setembro foram um ato de guerra do Irão. Apesar do regime iraniano negar qualquer envolvimento, Washington, Riade e algumas capitais europeias responsabilizaram Teerão pelos ataques, depois reivindicados pelos rebeldes houthis.

Os preços do petróleo aumentaram mais de 10% na sequência do ataque com drones, prevendo-se agora nova subida.

Para tentar evitar que isso aconteça, segundo o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Donald Trump devia encontrar-se com o seu homólogo iraniano, Hassan Rouhani, para delinearem um novo acordo sobre o programa nuclear. Isto depois de os esforços para juntar os dois líderes durante a Assembleia Geral da ONU terem falhado. Os EUA abandonaram no ano passado o acordo nuclear assinado em 2015 com o Irão.

Assassínio do jornalista Jamal Khashoggi foi "crime hediondo"

Mohammed bin Salman negou ainda ter ordenado a morte do jornalista Jamal Khashoggi. "Absolutamente não", atirou, classificando o assassínio como "hediondo" mas assumindo a "total responsabilidade" pelo ato enquanto líder da Arábia Saudita, uma vez que o assassínio "foi cometido por indivíduos que trabalhavam para o Governo saudita". Até agora 11 suspeitos sauditas já compareceram em tribunal mas foram realizadas poucas audiências.

O príncipe herdeiro prometeu ainda levar a tribunal o culpados: "As investigações estão em curso e, quando forem provadas acusações contra alguém, independentemente da sua posição, essa pessoa será levada a tribunal, sem exceção."

Mais Notícias

Outras Notícias GMG