"Não" com vantagem de quase 20 pontos sobre o "sim" em Itália

Com quase dois terços das assembleias de voto contadas, "não" tem 59,53% e "sim" tem 40,47%. Renzi já anunciou a sua demissão.

O cenário da contagem de votos é ainda pior para o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, do que as sondagens à boca das urnas mostravam. Contabilizados todos os votos, o "não" tinha 59,95% e o "sim" tinha 40,05%. São quase 20 pontos percentuais de diferença.

A sondagem à boca das urnas do IPR Marketing-Instituto Piepoli para a Rai dava entre 54% e 58% para o "não" e 42% a 46% para o "sim", o que significa que a reforma constitucional proposta por Renzi não vai avançar. Dirigindo-se ao país após a meia-noite (23.00 em Lisboa), primeiro-ministro apresentou a demissão.

Outra sondagem à boca das urnas, da Mediaset para o Canale5, dava 55% a 59% para o Não e 41% a 45% para o Sim. Mas não falta quem esteja a recordar, sobretudo, nas redes sociais, que nos últimos escrutínios as sondagens se engaram em Itália.

O Partido Democrático do primeiro-ministro já marcou uma reunião para terça-feira.

Antes ainda de falar ao país, Renzi agradeceu aos apoiantes no Twitter:

Minutos depois do fecho das urnas, Matteo Salvini, o líder da Liga Norte (anti-imigração) reagia, afirmando que "se for uma vitória do Não, será a vitória do povo contra os poderes fortes de Itália e de todo o mundo". No Twitter, escreveu: "Os italianos descartaram a opção Renzi, espero que se demita nos próximos minutos".

Para Beppe Grillo, o líder do Movimento 5 Estrelas, com este resultado, "o comboio já partiu".

Também Renato Brunetta, líder da bancada parlamentar do Força Itália, o partido do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, exigiu a demissão de Renzi se os resultados se confirmarem.

Os mercados não tardaram a reagir às primeiras previsões que dão a vitória do Não em Itália, com o euro a cair nas principais bolsa.

As urnas abriram às 7:00 (menos uma em Lisboa) e fecharam às 23:00 (22:00 em Portugal continental). A participação foi de 69,1% dos 50 milhões de eleitores italianos.

No poder desde fevereiro de 2014, Renzi, de 41 anos, prometera demitir-se em caso de vitória do Não, tendo depois recuado, reconhecendo que era um erro personalizar um escrutínio que aos poucos acabou, no entanto, por se transformar num plebiscito à sua governação.

Com esta reforma, o primeiro-ministro espera reduzir os poderes do Senado (atualmente o sistema italiano é um bicameralismo perfeito, no qual senadores e deputados têm a mesma força), além de acabar com a sobreposição de poderes a nível regional. No último ato da campanha, na sexta-feira em Florença, Renzi pediu aos apoiantes para tentarem convencer os eleitores indecisos "um por um", porque tudo estava em jogo nas últimas horas.

A aguardar o resultado deste referendo estava toda a Europa. Para os líderes europeus e para os mercados, a vitória do "não" poderia gerar instabilidade política (com a eventual demissão de Renzi) que não irá ajudar face a uma situação económica já complicada.

A economia italiana parece parada há 20 anos, com o desemprego nos 11,6 % (36,4% entre os jovens) e uma dívida pública de 2,2 biliões de euros (132,7% do PIB), só menor que a grega. As previsões de crescimento para 2016, da OCDE, são de apenas 0,8%. Apesar de o ministro da Economia italiano, Pier Carlo Padoan, afastar qualquer hipótese de "terramoto financeiro" depois do referendo, a verdade é que a taxa de juro da dívida subiram nas últimas semanas e existe uma preocupação crescente em relação aos créditos de cobrança duvidosa, que ensombram a banca italiana.

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