Pressa para voltar ao trabalho deve ser contida, avisa especialista inglês

O epidemiologista Neil Ferguson, do Imperial College, considera que se assiste no Reino Unido a um aumento de infeções e hospitalizações. "Devemos fazer uma pausa no regresso ao trabalho" presencial, sugeriu ao governo britânico.

Um dos principais especialistas do Reino Unido em doenças infecciosas sugeriu que o governo britânico deve "talvez fazer uma pausa na corrida precipitada para colocar todos de volta aos postos de trabalho" na Inglaterra, sobretudo depois do governo admitir que ainda não há um teste rápido certificado de covid para testar todos.

Neil Ferguson, epidemiologista do Imperial College, alertou que houve um "aumento" nas admissões hospitalares relacionadas com a covid no Reino Unido nos últimos dias, com as infeções a aumentarem em todo país. E para não haver novamente restrições mais duras no futuro, sugere ter calma no regresso de todos aos escritórios e outros locais de trabalho.

O especialista disse que ainda é muito cedo para saber se a reabertura das escolas da Inglaterra na semana passada contribuiu para uma disseminação significativa da doença. Se assim for, talvez seja caso para "reduzir os contactos noutros ambientes", disse num programa de rádio.

"Ainda estou a trabalhar em casa, muitas pessoas que conheço ainda estão em casa. Acho que devemos hesitar e talvez fazer uma pausa na pressa em colocar todos de volta nos escritórios. Mas algumas pessoas precisam [trabalhar] e entendo perfeitamente a preocupação em muitas áreas de que ter toda a gente a trabalhar em casa tem um impacto económico, especialmente nos centros das cidades", disse.

Grant Shapps, ministro dos transportes, disse que o governo depositou as esperanças no desenvolvimento de um teste que pudesse produzir resultados em "20 ou 90 minutos", sem ser enviado a um laboratório. Mas admitiu que ainda não estava certificado, e é por isso que Boris Johnson o classificou como um "tiro lunar".

"Esta tecnologia, para ser eficaz, requer mais desenvolvimento. Não existe um teste certificado no mundo, embora as pessoas estejam a trabalhar em protótipos. Portanto, não é imediato, mas é algo que queremos desenvolver", disse à Sky News.

Sobre as novas restrições, que significam que a partir de segunda-feira as pessoas na Inglaterra não poderão reunir-se em grupos de mais de seis, Shapps rejeitou a sugestão de que os jovens deveriam ser isentos, apesar do facto de que muito poucos morrerem ou precisarem de cuidados hospitalares devido à covid.

"Seria muito errado para uma sociedade deixar o vírus espalhar-se desenfreadamente numa parte e todos os outros terem que fugir e esconder como eremitas. Essa não é uma maneira de dirigir uma sociedade", argumentou o governante.

Neil Ferguson alertou que o vírus agora está a espalhar-se pelo país novamente, "não apenas em pontos críticos", e tem afetado todas as faixas etárias.

"Devo dizer que na semana passada vimos um aumento em todo o país, não apenas nos hotspots. Estamos a ver agora um aumento nas hospitalizações. Os dados são iniciais e todas as análises que temos feito e outros grupos em todo o país sugerem que veremos um aumento nas próximas semanas. Portanto, agora é a hora de responder para superar isso", disse o epidemiologista.

Levará duas ou três semanas para ver se a nova "regra dos seis" reduz as infeções, disse ainda Ferguson à BBC: "As medidas que acabamos de anunciar levarão algumas semanas para entrar em vigor. Teremos que ver como conseguimos nivelar a curva e se isso não for suficiente para reduzir o número de reprodução abaixo de 1, então sim, podemos precisar reprimir noutras áreas."

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