Zelensky toma posse na Ucrânia e dissolve o Parlamento

Novo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou a dissolução do Parlamento durante o discurso de investidura, antecipando as legislativas. Não tinha qualquer deputado e quer aproveitar a sua popularidade.

"Eu dissolvo o Parlamento", declarou o novo chefe de Estado, de 41 anos, perante os deputados e representantes das delegações internacionais reunidos no hemiciclo.

O Parlamento ucraniano é maioritariamente hostil ao novo presidente, que provoca eleições legislativas antecipadas apesar de algumas incertezas jurídicas sobre a realização da votação que já estava agendada para o mês de outubro.

Volodymyr Zelensky, um antigo humorista sem experiência política, venceu a segunda volta das presidenciais do mês passado com mais de 70% dos votos, derrotando o presidente em exercício, Petro Poroshenko. Mas o seu partido não tem qualquer representação parlamentar, pelo que faz sentido antecipar as eleições enquanto a sua popularidade está em alta.

"Caro povo, durante toda a minha vida tentei fazer de tudo para que os ucranianos sorrissem. Durante os próximos cinco anos, vou fazer tudo para que não chorem", disse no final do discurso. Zelensky ficou conhecido pela série de humor Ao Serviço do Povo, onde desempenhou o papel de um professor de História que de repente é eleito presidente.

Prioridade é cessar-fogo

No discurso de posse, Zelensky disse que a sua prioridade é um cessar-fogo no leste da Ucrânia, onde um conflito com os separatistas apoiados pelos russos já fez 13 mil mortos. "A nossa primeira tarefa é conseguir um cessar-fogo em Donbass", afirmou, dizendo estar preparado para tomar medidas impopulares para o conseguir (e arrancando os aplausos dos deputados).

"Posso assegurar que estou disposto a tudo para que os nossos heróis não continuem a morrer. Não tenho medo de tomar decisões complexas. Estou disposto a perder a minha popularidade e, se for necessário, o meu cargo para estabelecer a paz", declarou.

O novo presidente defende que o diálogo com a Rússia só pode acontecer com a devolução do território ucraniano, assim como a entrega dos prisioneiros de guerra.

Questionado sobre se o presidente russo planeava felicitar Zelensky pela tomada de posse, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Vladimir Putin não tinha planos nesse sentido. Explicou que Putin vai felicitar o homólogo se este fizer progressos em resolver o conflito com os separatistas pró-russos no Leste da Ucrânia e em melhorar as relações com Moscovo.

No discurso de tomada de posse, Zelensky pediu ainda aos deputados que usem os dois meses até à realização das novas eleições para aprovar uma lei que lhes retire a imunidade parlamentar e outra lei que proíba os detentores de cargos públicos de enriquecimento ilícito.

"Têm dois meses para fazer isto. Façam-no e vão merecer medalhas", disse Zelensky.

Pediu ainda aos deputados para "demitirem" o ministro da Defesa, o procurador-geral e o chefe dos serviços de segurança, todos fiéis ao seu antecessor.

O presidente, que vive junto ao Parlamento, foi a pé para a sessão de investidura, sendo saudado por uma multidão ao longo das barreiras de proteção e tendo tirado várias selfies com os apoiantes.

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