"Negar ou relativizar é um insulto a milhões de vítimas e semear de novo o ódio"

Presidente alemão condena relativização do nazismo

O Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, condenou hoje a relativização do nazismo, no meio da polémica causada pelo líder da Alternativa para a Alemanha (ultra-direita), Alexander Gauland, que classificou o III Reich como uma "excremento de pássaro".

"Negar, minimizar ou relativizar esta rutura sem precedentes com a civilização não só é um insulto a milhões de vítimas, como procura conscientemente reabrir feridas e semear de novo o ódio", afirmou Steinmeier durante um ato em memória dos homossexuais vítimas do nazismo.

A frase do presidente, que ainda pediu perdão ao coletivo homossexual pela perseguição sofrida durante o nazismo, segue-se ao efeito nas forças democráticas do país da frase de Gauland, pronunciada num congresso da juventude da Alternativa para a Alemanha (AfD).

Em causa a polémica causada pelo líder da Alternativa para a Alemanha (ultra-direita) que classificou o III Reich como um "excremento de pássaro" na História do país

Adolf "Hitler e os nazis são apenas excremento de pássaro", afirmou o chefe do partido e do seu grupo em Bundestag (Parlamento), referindo-se aos "malditos doze anos" que durou o nazismo (entre 1933 e 1945) e que não devem apagar os "mais de mil anos da história de sucesso da Alemanha".

A condenação desta declaração estendeu-se desde o bloco conservador da chanceler Angela Merkel e do Partido Social-Democrata (SPD) aos opositores partidos de Os Verdes, A Esquerda e o Partido Liberal (FDP)

"Cinquenta milhões de mortos, o holocausto e a guerra total são para a AfD de Gauland apenas um excremento de pássaro", respondeu, através da sua conta no Twitter Annegret Kramp-Karrenbauer, a secretária-geral da União Cristã-Democrata (CDU) de Merkel e possível sucessora da chanceler à frente desse partido.

"Tipos como este não deveriam estar no Parlamento", disse por seu lado, e a partir da mesma rede social, o presidente do SPD, Ralf Stegner, entre semelhantes protestos de outras formações partidárias.

A secretária-geral do partido conservador da CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer, próxima de Angela Merkel, reagiu ontem no Twitter: "50 milhões de vítimas de guerra, o Holocausto e a guerra total são apenas 'excrementos de pássaros' para a AfD e Gauland. Eis o que é este partido por trás da máscara de civilidade".

Esta não é a primeira provocação do ex-CDU, Alexander Gauland, de 77 anos.

Durante a campanha eleitoral para as eleições parlamentares de setembro passado, elogiou os méritos dos soldados da Wehrmacht.

Um dos seus partidários, Björn Höcke, também comparou o vasto monumento no coração de Berlim às vítimas do Holocausto como um "memorial da vergonha".

Primeira força de oposição à Câmara dos Deputados, a AfD estreouse em grande no Bundestag, com mais de 90 deputados, e questionou o consenso em torno da memória dos alemães sobre o seu passado nazi.

Nascido em 2013 da oposição ao euro, o partido tornou-se, graças à "crise" de refugiados em 2015, anti-migrante, anti-Islão e anti- Merkel, endurecendo significativamente o discurso, especialmente contra os muçulmanos.

A co-líder do grupo parlamentar, Alice Weidel, atacou recentemente as mulheres com "burqa, meninas veladas, homens armados com facas e outras pessoas sem valor" que ameaçam, segundo ela, a prosperidade alemã.

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