Andrzej Duda vence as eleições presidenciais da Polónia

O ultraconservador Duda vence a segunda volta das presidenciais com 51,21% dos votos, segundo a Comissão de Eleições polaca quando estão apurados 99,97% dos locais de voto.

O presidente em exercício Andrzej Duda, um ultraconservador de direita, venceu a segunda volta das eleições presidenciais de domingo ao obter 51,21% dos votos, tendo o centrista Rafal Trzaskowski, presidente da Câmara de Varsóvia, recebido 48,79% dos votos. Os resultados foram divulgados esta segunda-feira pela Comissão de Eleições polaca quando estão apurados 99,97% dos locais de voto. Dados mostram que estas eleições foram as mais renhidas dos últimos anos.

Cidades e zonas rurais, oeste e leste, eleitores novos e velhos: a Polónia sai de uma campanha eleitoral abrasiva dividida em duas, no que é ao mesmo tempo prova da vitalidade democrática, até porque a afluência às urnas foi recorde, 68,9%.

Além do mais estas eleições, marcadas pela pandemia, tiveram mais de 700 mil pessoas inscritas para votar pelo correio, a larga maioria no estrangeiro.

Um número recorde de polacos no estrangeiro, mais de 385 mil, inscreveram-se para votar na primeira volta das eleições. A esse número juntaram-se mais cerca de 140 mil pessoas, num total de quase 520 mil eleitores no estrangeiro, entre os 30,3 milhões de eleitores.

Na primeira volta Trzaskowski recebeu o dobro dos votos de Duda no estrangeiro. O homem que prometeu restabelecer os laços com Bruxelas e reverter uma controversa reforma do sistema judicial, reagiu à primeira sondagem à boca das urnas que lhe dava a vitória pela margem mínima de forma ambígua: "Provavelmente nunca houve um resultado tão renhido na história polaca, nunca sentimos tanto o poder no nosso voto".

"Estou feliz com a minha vitória, embora seja uma sondagem à boca das urnas", disse por sua vez Duda.

O seu Partido Lei e Justiça (PiS) é acusado de minar as liberdades democráticas apenas três décadas após o fim do regime comunista. Duda e os seus apoiantes acusaram a Alemanha e o bilionário George Soros de "interferir" nas eleições, enquanto procuravam descredibilizar Trzaskowski, ao dizer que é um representante de um "lobby estrangeiro", de "organizações judaicas" e da "ideologia LGBT".

Sobre este último tema proibiu há uma semana a adoção por pessoas do mesmo sexo, tendo descrito esse processo como "escravização de crianças".

O apoio de Duda é forte nas zonas rurais e pequenas cidades e no leste do país, enquanto Trzaskowski é popular em grandes cidades e regiões ocidentais na fronteira com a Alemanha, além da popularidade entre a juventude.

As sondagens dão conta de que nos grupos etários até aos 49 anos os eleitores preferiram o autarca da capital.

"O resultado destas eleições é uma Polónia dividida em duas com um futuro não tão risonho, pois será difícil facilitar a divisão e restabelecer a relação entre os dois lados", disse à AFP o analista Kazimierz Kik.

Pôs também em evidência a profunda divisão entre as duas principais forças políticas polacas: o partido nacionalista e ultraconservador Lei e Justiça (PiS), que apoia Duda, e a Plataforma Cívica centrista (PO), que Trzaskowski representa.

Pela primeira vez desde que a democracia foi restaurada na Polónia, os dois candidatos não se encontraram num debate antes da segunda volta. Tal não aconteceu porque não chegaram a acordo sobre o formato nem sobre o órgão de comunicação, conta o Notes from Poland.

Trzaskowski recusou-se a comparecer num debate organizado pela emissora estatal, TVP, que apoiou Duda e atacou o rival. O presidente rejeitou um convite para a estação privada TVN, pró-Trzaskowski.

"Os alemães querem escolher o presidente na Polónia", disse Duda. "Hoje temos a última parte do ataque alemão nesta eleição, uma campanha implacável e suja, desta vez dirigida contra mim".

Alguns dos principais meios de comunicação social na Polónia são detidos por empresas alemãs. O Fakt foi criticado por Duda por uma reportagem de primeira página que relatava pormenores sobre um abusador sexual de crianças condenado, a quem o presidente tinha perdoado.

Jaroslaw Kaczynski, o presidente do PiS e líder de facto da Polónia, acusou a oposição de querer transformar a Polónia num "apêndice da Alemanha" e disse que era necessário tomar medidas para impedir a "intervenção extremamente brutal da imprensa alemã" na política polaca.

Eleições podem ir para o Supremo

Os peritos disseram que o resultado renhido poderia conduzir a impugnações.
Anna Materska-Sosnowka, uma cientista política da Universidade de Varsóvia, disse: "Penso que haverá certamente protestos eleitorais e penso que toda esta questão acabará no Supremo Tribunal".

Não faltam bases jurídicas para a contestação: em junho, quando foram convocadas novas eleições, a lei eleitoral foi alterada, permitindo o acesso universal ao voto por correspondência. Mas em 2011 o Tribunal Constitucional decidiu que são proibidas alterações importantes à lei eleitoral menos de seis meses antes do anúncio das eleições.

Atualizado às 08:59

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