Poucos suspeitos de crimes Nazis perderam pensões, revela estudo

Apesar de a lei prever que pelo menos 50 mil pessoas ficassem sem reforma, apenas 99 as perderam

Dezenas de milhares de suspeitos de crimes de guerra nazis continuaram a receber pensões de invalidez apesar de uma lei aprovada há quase duas décadas ordenar a respetiva retirada, segundo um estudo oficial divulgado esta terça-feira.

De acordo com o estudo encomendado pelo ministério do Trabalho alemão e publicado na sua página da internet, só 99 pessoas perderam essa pensão.

O documento conclui que vários fatores conduziram aos fracos resultados da medida, entre os quais a própria escala da missão de rever dezenas de milhares de casos, a ausência de digitalização de ficheiros importantes, os desafios legais e, em alguns casos, apatia na aplicação da lei.

Quando a lei foi aprovada, em 1998, a expectativa era que levasse até 50.000 pessoas a perder as suas pensões, mas os autores do relatório descobriram que foram apenas 99 as pessoas suspeitas de "crimes contra os princípios da humanidade" que as perderam.

A investigação incidiu sobre o período entre 1998 e 2013, mas não foram retiradas quaisquer outras pensões até hoje.

"Os resultados são extraordinariamente dececionantes, nunca pensei, nem nos meus piores pesadelos, que o número fosse tão baixo", disse Efraim Zuroff, o principal caçador de nazis do Centro Simon Wiesenthal.

O ministério do Trabalho alemão não comentou os resultados do estudo.

Em 1950, a Alemanha ocidental aprovou pensões especiais para "vítimas de guerra", para os feridos durante a Segunda Guerra Mundial, altura em que cerca de 4,4 milhões de pessoas preenchiam os requisitos para receber esse dinheiro.

Os beneficiários iam desde civis feridos em bombardeamentos aliados a guardas das SS dos campos de concentração, bem como as suas viúvas e alguns outros dependentes.

Lina Heydrich, viúva do alto responsável nazi Reinhard Heydrich, um dos principais artífices do Holocausto, estava entre os mais proeminentes beneficiários da última categoria. Morreu em 1985.

Em 1998, entre reações de indignação pelo facto de possíveis criminosos de guerra estarem a receber compensações monetárias mas muitos judeus e outras vítimas dos nazis não estarem, a lei foi alterada para excluir qualquer pessoa que tivesse cometido "crimes contra os princípios da humanidade e o Estado de direito".

Nessa altura, eram cerca de 940.000 as pessoas que ainda recebiam tais pensões.

Uma conjugação das severas leis de privacidade da Alemanha e do facto de a gestão das pensões estar dividida pelos 16 estados do país fez com que os relatores trabalhassem com base em informação incompleta e não pudessem precisar exatamente quantos dos beneficiários eram ex-militares.

Conseguiram, contudo, determinar que oito estados reportaram em 1998 um total de 23.501 antigos militares SS a receberem pensões de invalidez. Os outros oito estados não responderam, indica o relatório.

No ano passado, cerca de 150.000 pessoas estavam a receber tais pensões, mas Zuroff disse que o relatório mostra que, na prática, o esforço para as retirar já terminou.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG