Polícias mexicanos abusam sexualmente de detidas para obter confissões

A maioria das reclusas afirmou ter sofrido "agressões sexuais, espancamentos, choques elétricos ou apalpões durante a detenção e interrogatório"

As forças de segurança mexicanas submetem regularmente as mulheres detidas a abusos sexuais para obter "confissões", revela um relatório da Amnistia Internacional hoje publicado.

A organização não-governamental, com sede em Londres, inquiriu 100 mulheres encarceradas em prisões do México e todas declararam ter sido objeto de formas de assédio sexual ou de abusos psicológicos durante a sua detenção e na fase de interrogatório.

Segundo a Amnistia, "72 afirmaram ter sido agredidas sexualmente durante a sua detenção ou nas horas que se seguiram. Trinta e três disseram ter sido violadas".

"Quando falamos de violência contra a mulher, o método preferido do Estado [mexicano] é a violência sexual. Foi uma descoberta surpreendente", comentou Madeleine Penman, autora do relatório, à agência AFP.

Quando falamos de violência contra a mulher, o método preferido do Estado [mexicano

"Aquilo que as mulheres descrevem oferece uma visão chocante da prevalência da tortura contra as mulheres no México", afirmou Erika Guevara-Rosas, diretora para as Américas da Amnistia Internacional.

Segundo a mesma responsável, "a violência sexual utilizada como forma de tortura parece estar banalizada durante os interrogatórios".

De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos, a maioria das reclusas afirmou ter sofrido "agressões sexuais, espancamentos, choques elétricos ou apalpões durante a detenção e interrogatório".

Uma das vítimas das autoridades foi Claudia Medina Tamariz A mulher mexicana contou à AP que, em 2012, estava a dormir com o marido quando a polícia invadiu a sua casa na Costa de Golfo, em Veracruz, e prendeu os dois.

Na prisão, Claudia foi espancada, violada e torturada durante horas. As autoridades alternavam entre choques elétricos e técnicas de afogamento simulado.

A mulher foi eventualmente obrigada a assinar uma confissão, sem ler, em que admitia pertencer a um grupo de crime organizado que fazia tráfico de armas e drogas e a aparecer na televisão a assumi-lo. "Eles sabem como atingir-te como mulher", afirmou Claudia Medina Tamariz.

Das 100 mulheres entrevistadas pela Amnistia, 70 assinalaram ter relatado as agressões a um juiz ou a outros representantes do Estado, mas só foram abertas investigações em 22 casos, indica o documento que detalha que "ninguém foi acusado".

Segundo a Amnistia, a grande maioria das mulheres foi acusada de infrações relacionadas com o crime organizado ou droga. "Muitas delas vêm de famílias pobres, o que faz com que tenham menos possibilidades de ter uma defesa digna desse nome", sublinhou a organização.

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