Brasil. Polícia faz buscas a bolsonaristas em caso de fake news

Deputado condenado no Mensalão, empresários próximos do Planalto, influenciadores digitais e outros aliados do presidente visados em investigação autorizada pelo Supremo. Eles falam em "perseguição", em "ditadura" e em "terceiro Reich". Carlos Bolsonaro ficou de fora

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira, 27 de maio, uma operação policial, com autorização de um juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), que chegou a aliados próximos do presidente Jair Bolsonaro, incluindo deputados., empresários e influenciadores digitais. Em causa, um inquérito sobre propagação de fake news.

Um dos alvos dos mandatos de busca e apreensão da operação que chegou a 29 moradas de suspeitos espalhadas por seis estados diferentes do Brasil foi Roberto Jefferson, o ex-deputado pelo PTB que denunciou e foi condenado no Mensalão, escândalo de compra de deputados com dinheiro público do primeiro governo de Lula da Silva.

Jefferson tornou-se aliado de Bolsonaro nos últimos meses, no contexto das negociações entre o governo e o Centrão, grupo de partidos políticos, de que faz parte o PTB, que vende o seu apoio em troca de cargos na máquina pública.

Outro dos visados foi o empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, um dos adeptos mais ruidosos de Bolsonaro, suspeito de financiar, fake news.

Entre os influenciadores digitais, destaque para Sara Winter, uma ex-manifestante feminista do grupo Femen, que chegou no início da década a pedir a castração de Bolsonaro num protesto radical mas que se converteu ao bolsonarismo. Ela lidera o acampamento "300 do Brasil", grupo armado que defende o presidente.

Os deputados federais Carla Zambelli, autora de mensagens para o ex-ministro Sérgio Moro a oferecer-lhe uma vaga no STF em troca da sua continuidade no governo, Daniel Silveira, que se tornou conhecido por vandalizar uma placa em homenagem à vereadora executada Marielle Franco, ou Luiz de Orléans e Bragança, auto proclamado príncipe, estão entre os oito parlamentares que mesmo não tendo sendo alvo de buscas foram intimados a comparecer na polícia para interrogatório.

Jefferson foi dos que reagiu com mais indigação à operação policial. "Tribunal do Reich. Instituído por Hitler, após o incêndio do parlamento, aquele tribunal escreveu as páginas mais negras da justiça alemã, perseguindo os adversários do nazismo. Hoje o STF, no Brasil, repete aquela horripilante história. Acordei às 6 horas com a polícia no meu lar".

"Moraes, seu covarde, você não vai me calar", escreveu, por sua vez, Sara Winter, referindo-se a Alexandre de Moraes, o juiz que autorizou a operação. "Ele comprovou que está ao serviço de uma ditadura do poder judicial".

Tido como um dos articuladores do "gabinete do ódio", grupo que orquestra a partir do Palácio do Planalto um esquema de fake news favorável ao governo e contrário a quem opte por dissidir, Carlos Bolsonaro não foi alvo das buscas. Mas reagiu: "O que está acontecendo é algo que qualquer um desconfie que seja proposital. Querem incentivar rachaduras diante de inquérito inconstitucional, político e ideológico sobre o pretexto de uma palavra politicamente correta? Você que ri disso não entende o quão em perigo está!".

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