Polícia detém mais cinco pessoas pela decapitação do professor em França

Mais cinco pessoas foram presas na madrugada deste sábado na investigação à decapitação do professor de história Samuel Paty, nos subúrbios de Paris, num total de nove detenções.

Entre as cinco pessoas agora detidas estão os pais de um estudante do colégio de Bois d'Aulne, em Conflans-Sainte-Honorine, arredores de Paris, onde a vítima trabalhava. Estas pessoas tiveram uma discussão com o professor de história e geografia Samuel Paty, de 47 anos, sobre uma caricatura de Maomé que o docente tinha mostrado na aula.

A discussão aconteceu depois de, no início deste mês, Paty ter mostrado a uma turma de adolescentes uma caricatura do jornal satírico Charlie Hebdo durante uma aula de educação moral e cívica sobre liberdade de expressão. Antes de apresentar a caricatura, o professor terá dito os alunos muçulmanos que poderiam sair da sala de aula se desejassem. Vários pais protestaram e exigiram a demissão do professor, conta o The Guardian.

O pai de uma menina de 13 anos que não saiu da aula publicou um vídeo no YouTube afirmando que o professor tinha mostrado uma "foto de um homem nu" alegando ser o "profeta muçulmano". O pai convocou outros pais para se juntarem a ele numa ação coletiva contra o professor, que ele descreveu como um "voyou" (bandido). Para tentar resolver a situação, a escola organizou um encontro entre o diretor, a professora e um funcionário da autoridade educacional.

"Segundo o meu filho, ele era super simpático , super amigável, super gentil", disse uma mãe da escola, Nordine Chaouadi, à agência de notícias AFP.

Além dos pais de um dos alunos, segundo a AFP, foram também detidas três pessoas do círculo não familiar do suposto agressor. Estas cinco detenções juntam-se às outras quatro já ocorridas em Evreux (noroeste). Entre as nove pessoas que estão a ser ouvidas pela polícia encontram-se o avó e o irmão mais novo (17 anos) do assassino.

A identidade do agressor, no qual foi encontrado um documento de identidade, também foi confirmado pelos investigadores, segundo fonte judicial, e trata-se de um russo checheno de 18 anos, nascido em Moscovo, sem antecedentes criminais. O jovem atacou Paty quando ele saía da escola, cerca das 17:00 locais (16:00 em Lisboa), decapitando-o com um grande cutelo de cozinha.

A polícia está a investigar uma fotografia publicada na rede social Twitter, através de um utilizador que, entretanto, encerrou a conta, da cabeça decapitada da vítima. As autoridades estão a tentar perceber se esta fotografia foi publicada pelo alegado autor do homicídio ou por outra pessoa. A AFP dá conta de que a fotografia acompanhava uma mensagem dirigida ao Presidente francês, Emmanuel Macron, apelidado de "o líder dos infiéis". "Executei um dos cães infernais que ousou menosprezar Muhammad [o profeta Maomé]", explicitaria esta mensagem assinada por "Abdullah, o servo de Alá".

Testemunhas relatam que ele terá gritado "Allah 'Akbar" ("Deus é grande" em árabe). Perseguido pela polícia, o jovem recusou-se a render e foi morto.

O chefe de Estado francês considerou, citado pela agência France-Presse (AFP), que o homicídio do professor de história é um "característico ataque terrorista islâmico", no entanto, "o obscurantismo não vencerá". "Um dos nossos compatriotas foi morto hoje porque ensinou [...] a liberdade para acreditar e não acreditar", acrescentou Macron, desta vez citado pela Associated Press (AP).

O Presidente francês vincou que este ataque não pode dividir o país, uma vez que, na opinião de Macron, é esse o objetivo dos extremistas: "Temos de nos unir enquanto cidadãos."

Também o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, comnsiderou que o assassínio do professor foi um ataque à República Francesa:

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