Youtuber Nasim Aghdam é a autora do tiroteio na sede da gigante tecnológica

A mulher, de 39 anos, feriu três pessoas e depois suicidou-se. O pai de Nasim Aghdam avisou na polícia de que a filha poderia estar a dirigir-se à sede do YouTube porque "ela odiava" a empresa

A polícia já identificou a mulher que fez vários disparos na sede do YouTube, em San Bruno, perto de São Francisco, na terça-feira. Trata-se de Nasim Najafi Aghdam, de 39 anos, residente em San Diego, que tinha vários canais de vídeos na plataforma digital.

De acordo com as autoridades, a mulher suicidou-se após o tiroteio, num caso visto pela polícia como uma "divergência pessoal". As investigações sobre os motivos que levaram Nasim Aghfam a disparar na sede do YouTube ainda decorrem, mas existe outra versão sobre o que poderá estar na origem deste tiroteio.

Segundo o pai de Nasim Aghfam, ela estava muito irritada pela forma como a gigante tecnológica discriminava os seus vídeos. A mulher culpava o YouTube por ter perdido visualizações que lhe asseguravam o dinheiro para a renda da casa.

Em janeiro, publicou no YouTube um vídeo acusando a empresa de "discriminar" e "filtrar" os seus conteúdos. "Não há oportunidades iguais de crescimento no YouTube", criticou.

A empresa YouTube "parou com tudo" e "ela ficou zangada" disse Ismail Aqhdam, pai de Nassin entrevistado pelo telefone pela Bay Area News Group.

O pai de Nassim disse que avisou na polícia de que a filha poderia estar a dirigir-se à sede da YouTube porque "ela odiava" a empresa

Os utilizadores que difundem vídeos através do YouTube podem receber dinheiro através dos anúncios publicitários que acompanham as imagens, mas a rede social pode suspender os pagamentos caso o material vídeo seja considerado pouco apropriado ou se tiver menos de mil visualizações.

Ismail Aqhdam disse que a filha desapareceu na segunda-feira e que não atendeu o telefone durante dois dias, acrescentando que a família foi contactada na terça-feira pela polícia informando que Nassim estava a dormir no interior da viatura onde se encontrava.

O pai de Nassim disse que avisou na polícia de que a filha poderia estar a dirigir-se à sede da YouTube porque "ela odiava" a empresa.

A porta-voz da polícia de Mountain View, Califórnia, Katie Nelson, confirmou que os agentes localizaram uma mulher identificada como Nassim Aqhdam que estava a dormir no interior do veículo parado num parque de estacionamento.

Katie Nelson não comentou as declarações do pai de Nassim que terá avisado as autoridades sobre as intenções da filha em relação à empresa YouTube.

A autora do tiroteio é vegan e uma ativista pela defesa dos direitos dos animais, tendo participado em ações de protesto.

Após o ataque, as primeiras declarações das autoridades indicavam que os disparos que feriram três pessoas estavam a ser investigados no quadro de uma discussão entre familiares.

Quando se aperceberam do ataque os funcionários da companhia YouTube, situada na cidade de San Bruno, na região de San Francisco, Califórnia, chamaram a polícia através do número de emergência.

Dianna Arnspiger, empregada da YouTube disse que se encontrava no segundo piso do edifício quando ouviu os disparos e que ao aproximar-se das janelas viu a atacante que se encontrava no pátio da empresa e que empunhava uma "grande pistola".

Um homem de 36 anos e uma mulher de 32 anos - atingidos pelos disparos - encontram-se em estado considerada grave.

A terceira vítima, uma mulher de 27 anos também foi internada, mas está fora de perigo, segundo fontes do hospital de San Francisco para onde foram transportados os feridos.

Um responsável policial referiu que as autoridades acreditam que a atacante se terá suicidado com um tiro.

A empresa Google, proprietária da YouTube, a maior empresa de vídeos on-line a nível mundial, disse que os seguranças que trabalham no complexo de San Bruno ajudaram as autoridades a evacuar os prédios da companhia onde trabalham cerca de mil pessoas.

Este novo tiroteio acontece enquanto o debate sobre as armas de fogo nos Estados Unidos continua a dividir fortemente a opinião pública, sobretudo depois da tragédia num liceu de Parkland, na Florida (sudeste), onde morreram 17 pessoas, a 14 de fevereiro.

Mais de 1,5 milhões de pessoas participaram, a 24 de março, nos Estados Unidos, numa marcha a exigir um maior controlo das armas de fogo, numa das mais importantes manifestações no país em menos de duas décadas.

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