Polícia conclui que jovem marcada com suástica forjou crime

Estudante de 19 anos deve responder agora por falsa comunicação de crime

A investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul sobre o caso da jovem que teve uma suástica marcada no corpo foi encerrada com a conclusão de que ela forjou a mutilação.

O procedimento será enviado à Justiça nesta quarta-feira e ela deve responder por falsa comunicação de crime.

O caso ganhou grande repercussão por ter ocorrido no dia seguinte ao primeiro turno da eleição, ao ser relacionado com violência política.

O relato dela afirmava que, no momento do suposto ataque, na região central de Porto Alegre, ela estava com uma mochila na qual havia um adesivo com as cores do movimento LGBT e a inscrição "ele não", contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Em laudo produzido pelo Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul, porém, todos os indícios apontam que ela ou se automutilou ou foi marcada por outra pessoa com seu consentimento.

Os ferimentos do tipo, superficiais e de profundidade uniforme, dificilmente seriam produzidas se a vítima tivesse "preservada sua capacidade de reação, seja por medo, susto ou reflexo".

O delegado Paulo César Jardim, responsável pelo caso, afirmou que a jovem, uma estudante de pré-vestibular de 19 anos, é uma pessoa "doente, debilitada emocionalmente" e que toma remédios psiquiátricos "fortíssimos".

Jardim disse que ela demonstrava resistência em levar o caso adiante na polícia e que só registou a ocorrência porque uma amiga, não identificada, queria divulgar a agressão em redes sociais.

"Uma amiga dela queria registrar uma 'matéria' no Facebook, e uma forma de 'esquentar', de pontuar a matéria que a amiga queria colocar, seria registrando ocorrência."

O policial, porém, descartou que a jovem tenha forjado a situação com intenção política, ou seja, para prejudicar o candidato Jair Bolsonaro.

A foto das marcas no corpo dela chegaram a ser mostradas no horário eleitoral de Fernando Haddad (PT), em um trecho sobre a violência política pelo país na segunda volta.

Jardim afirmou que havia contradições no relato da agressão e que desde o primeiro momento se trabalhou com a hipótese de automutilação. Ela contou que sofreu outros ferimentos, causados por socos, mas não tinha outras lesões pelo corpo.

Além disso, a investigação afirma que mapeou as ruas por onde ela passou no dia do suposto crime e que mais de 20 pessoas, entre comerciantes, síndicos e guardadores de carro, foram entrevistadas. Nenhum deles disse ter visto nenhuma movimentação relacionada.

"Em nenhuma dessas câmaras [de segurança] aparece qualquer tipo de agressão e muito menos a possível vítima. Doze câmaras, com mais de duas horas de filmagem e em nenhuma delas ela apareceu".

Segundo o delegado, trata-se de um caso de "debilidade emocional", em que já havia acompanhamento psicológico e psiquiátrico. O policial afirma que mantém contato com a advogada dela e que, no momento, a jovem está em casa.

Para o médico Luciano Hass, do Instituto Geral de Perícias, que participou da elaboração do laudo, quase todas as características da lesão batem com as de lesões autoinfligidas descritas em estudos sobre o assunto. Mas fez uma ressalva: "Não tem como afirmar de forma inequívoca. A medicina legal não é uma ciência exata. A gente trabalha com probabilidades." A reportagem da Folha de São Paulo ainda não conseguiu falar com a advogada da jovem.

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