PM holandês convida a sair todos aqueles "que não respeitem valores holandeses"

"Comportem-se normalmente ou vão-se embora", disse o primeiro-ministro holandês, dizendo que quer defender os valores do país

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, convidou hoje a abandonar o país todos aqueles "que não estejam de acordo com os valores holandeses", numa mensagem dirigida a captar votos ao candidato anti-imigração.

Numa mensagem (de página inteira) divulgada hoje na imprensa, Rutte disse que os holandeses "têm de defender ativamente" os seus "valores", contra as pessoas que recusam integrar-se ou que agem de forma antissocial.

"Comportem-se normalmente ou vão-se embora", realçou.

Apesar de não referir explicitamente Geert Wilders, o candidato do Partido para a Liberdade, a mensagem do atual PM holandês foi um piscar de olho ao eleitorado daquela formação anti-imigração, que tem uma mensagem ainda mais dura.

Rutte, líder do Partido Popular pela Liberdade e Democracia (centro-direita), declarou que compreende os apelos para que as pessoas que não se integram saiam da Holanda. "Também tenho esse sentimento", disse.

No entanto, criticou a postura de linha dura de Wilders face à imigração. "A solução não é usar a mesma medida para todos", disse Rutte.

Em dezembro, um tribunal holandês condenou Wilders por insultos e por incitar à discriminação contra marroquinos. O candidato recorreu da decisão de primeira instância, classificando-a como "vergonhosa".

Na resposta a Rutte, Wilders disse hoje que o PM holandês é "o homem das fronteiras abertas, do tsunami de asilos, da imigração em massa, da islamização, das mentiras e do engano".

As sondagens dão uma ligeira vantagem a Wilders sobre Rutte para as eleições de 15 de março.

No entanto, os partidos mais tradicionais recusam apoiar Wilders, pelo que parece improvável que este venha a conseguir formar governo, mesmo que ganhe em número de votos.

A coligação que apoia Rutte levou a Holanda a um período de forte recuperação económica num contexto de crise financeira na Europa, mas a popularidade do seu partido tem vindo a cair em favor de Wilders.

No sábado, Wilders juntou-se a outros líderes populistas de extrema-direita de França, Alemanha, Itália e outros países, num encontro na Alemanha para antever a realização de eleições este ano, que poderão representar um reforço dos partidos nacionalistas.

"Acredito que estamos a testemunhar tempos históricos", disse Wilders a propósito da tomada de posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

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