Plano C republicano: lançar um candidato contra Trump

Depois de o magnata ter garantido nomeação do partido, alguns tentam encontrar alguém disposto a avançar contra ele em novembro

Paul Ryan parece não ser o único no Partido Republicano a não estar preparado para apoiar Donald Trump como nomeado às presidenciais americanas. As dúvidas do presidente da Câmara dos Representantes refletem um movimento cada vez mais forte que se tem juntado sob a hashtag #NeverTrump. E alguns vão mesmo mais longe do que o speaker, estando à procura de um candidato republicano disposto a avançar como independente contra Trump em novembro.

Difícil pode ser encontrar um nome que aceite esta missão suicida, uma espécie de plano C do partido depois de os últimos adversários de Trump - Ted Cruz e John Kasich - terem desistido da corrida após a vitória do milionário nas primárias do Indiana. Um terceiro candidato veria logo grande parte do partido acusá-lo de ser responsável por tirar a Casa Branca aos republicanos, dividindo o voto das bases. "Tudo o que não for um partido unido irá ajudar Hillary Clinton a tornar-se presidente", afirmou ao Huffington Post Sean Spicer, responsável do Comité Nacional Republicano. Além de que qualquer candidato "independente" iria submeter-se a meses e meses de ataques de Trump.

Entre os apoiantes desta terceira via, os nomes mais falados para serem candidatos incluem o ex-senador Tom Coburn, visto como não tendo nada a perder, ou o ex--governador do Massachusetts Mitt Romney que, depois da derrota frente a Obama em 2012, pode sentir o apelo de salvar o partido da "fraude" Donald Trump.

Nas mãos dos congressistas

Imaginemos por momentos que a oposição republicana a Trump consegue mesmo um candidato, o processo seguinte também não será fácil. Primeiro este (ou esta) terá de conseguir os apoios e os fundos necessários para montar uma candidatura nacional contra o candidato oficial do partido. Mas se o conseguir e nas presidenciais obtiver vitórias em estados suficientes para tirar a Trump e Hillary a maioria dos votos no Colégio Eleitoral, isso levará a escolha do sucessor de Barack Obama na Casa Branca até à Câmara dos Deputados. Segundo a Constituição americana cabe a esta decidir qual dos candidatos chega à presidência. E não podemos esquecer que a Câmara é neste momento controlada pelos republicanos. E presidida por Paul Ryan.

Outsider, conhecido por ter apresentado o reality show The Apprentice e por ter multiplicado o império imobiliário herdado do pai, Donald Trump é tudo menos um republicano típico. Até já foi democrata! Casado em terceiras núpcias com uma ex-modelo eslovena 25 anos mais nova, isso não o impede de querer construir um muro na fronteira com o México para travar a entrada de imigrantes. E quer apresentar a fatura ao governo mexicano. Na campanha propôs banir os muçulmanos de entrar nos EUA e castigar as mulheres que pratiquem abortos.

Com tantas polémicas em torno do seu nomeado, não falta no partido republicano quem tema que um candidato Trump possa prejudicar o partido em novembro, podendo mesmo custar-lhe a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado. Até o senador e ex-candidato presidencial John McCain, que disse apoiar Trump, ontem admitiu que com o magnata no topo do ticket republicano, as próximas eleições serão "o maior desafio da minha vida". Aos 79 anos, o veterano da guerra do Vietname disputa em novembro o sexto mandato no Senado, onde representa o Arizona.

McCain é uma das personalidades republicanas que já anunciaram que estarão ausentes da convenção de julho que deve confirmar Trump como nomeado. Aos ausentes juntam-se ainda Mitt Romney e os ex-presidentes Bush, pai e filho, que recusam apoiar o milionário.

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