Peste negra causa uma morte na China. Aldeia foi isolada

Depois de casos registados em julho, a região chinesa da Mongólia Interior confirma agora a morte de uma pessoa com peste bubónica. Aldeia foi colocada em quarentena.

As autoridades da região chinesa da Mongólia Interior determinaram o isolamento de uma aldeia depois de um residente ter morrido de peste bubónica, uma doença com séculos, também conhecida como peste negra, e que foi responsável pela pandemia mais mortal da história da humanidade.

A morte foi reportada às autoridades de saúde na cidade de Baotou no domingo e a vítima foi confirmada como um doente com peste bubónica esta quinta-feira, disse a Comissão Municipal de Saúde de Baotou em comunicado no seu site. O doente morreu de falha do sistema circulatório, de acordo com o comunicado. Não é mencionado como apanhou a peste.

Para conter a propagação da doença, as autoridades isolaram a aldeia de Suji Xincun, onde vivia o doente morto, e ordenaram a desinfeção diária das casas. Todos os habitantes até agora deram resultados negativos à doença, revela o comunicado. Nove contactos próximos e 26 secundários do paciente foram colocados em quarentena e testaram negativo, disse a comissão de Baotou. Banner Damao, o distrito onde a aldeia está localizada, foi colocado em alerta de nível 3 para prevenção de pragas, o segundo mais baixo de um sistema de quatro níveis, até ao final do ano.

Este é o segundo caso - e a primeira morte - de peste bubónica que a China confirma este ano. O caso anterior foi descoberto em julho em Bayannur, outra cidade na Mongólia Interior, levando ao lançamento de outro alerta de Nível 3 e ao encerramento de vários pontos turísticos.

A peste, causada por bactérias e transmitida por picadas de pulgas e animais infetados, matou cerca de 50 milhões de pessoas na Europa durante a pandemia da Peste Negra na Idade Média. A peste bubónica, que é uma das três formas da peste, causa nódulos linfáticos doloridos e inchados, bem como febre, calafrios e tosse. O advento dos antibióticos, que podem tratar a maioria das infeções se forem detetados precocemente, ajudou a conter os surtos de peste, evitando o tipo de disseminação rápida testemunhado na Europa na Idade Média.

Mas não foi totalmente eliminada e teve um regresso recente, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificá-la como uma doença em reemergência. Entre 1.000 a 2.000 pessoas contraem a peste todos os anos, de acordo com a OMS. Mas este total provavelmente é uma estimativa modesta, uma vez que não leva em conta casos não relatados.

Segundo dados de 2016, a possibilidade de praga existe em quase todos os continentes, principalmente no oeste dos Estados Unidos, partes do Brasil, áreas espalhadas no sudeste da África e grandes extensões da China, Índia e Oriente Médio.

Nos Estados Unidos, tem havido algumas dezenas de casos de peste a cada ano, de acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças. Em 2015, duas pessoas morreram no Colorado com a peste e, no ano anterior, houve oito casos registados no estado.

Na China, foram registados 31 casos de peste entre 2009 e 2019, incluindo 12 mortes, segundo dados divulgados pela Comissão Nacional de Saúde.

Na quinta-feira, as autoridades de Baotou alertaram sobre o risco de "uma epidemia de peste humana se espalhar na cidade" e instaram o público a tomar precauções extras e a procurar atendimento médico imediato se desenvolver sintomas de febre ou tosse. Também incentivaram as pessoas a reduzir o contacto com animais selvagens durante as viagens e evitar caçar, esfolar ou comer animais que possam causar infeção.

No mês passado, dois casos de peste bubónica foram confirmados na Mongólia, irmãos que comeram carne de marmota, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua. Em maio de 2019, outro casal na Mongólia morreu de peste após comer o rim cru de uma marmota, considerado um remédio popular para uma boa saúde. A marmota é um dos animais que transmite a peste e o seu consumo é desaconselhado.

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