Pensacola. Tudo sobre o saudita que matou três pessoas na base naval dos EUA

As autoridades norte-americanas seguem agora pequenas pistas sobre o jovem de 21 anos que matou três militares da Marinha, na base naval de Pensacola, na Florida. Um jantar, um tweet e uma viagem a Nova Iorque estão agora no centro da investigação. O tio do autor do ataque garante que não havia "nada de suspeito".

Chamava-se Mohammed Alshamrani, tinha 21 anos, era segundo-tenente da Força Aérea da Arábia Saudita e foi identificado pelo FBI como o homem que na sexta-feira matou três pessoas e feriu outras 11 na base naval norte-americana de Pensacola, na Florida. Ainda pouco se sabe sobre o atirador, entretanto abatido. Mas há testemunhos que indicam que o saudita terá mostrado sinais de que poderia estar prestes a cometer um ato violento: no dia anterior, num jantar entre colegas, Mohammed Alshamrani passou a noite a visualizar vídeos de tiroteios em massa, avançou o The New York Times . Além disso, segundo a CNN, as autoridades suspeitam que fosse também o autor de um tweet publicado doze minutos antes do ataque, no qual declarava ódio ao povo americano, devido aos "crimes" cometidos contra os muçulmanos.

Afinal, o que fazia o jovem saudita na base naval norte-americana? Há vários anos que a base de Pensacola oferece treino em aviação a militares estrangeiros e desde 1995 que há pilotos sauditas neste leque de estagiários - assim como italianos, alemães e singapurenses. De acordo com informação dada à CNN pelas autoridades norte-americanas, havia 200 estrangeiros matriculados no programa. Mohammed Alshamrani teria chegado há dois anos, em agosto de 2017, para ficar durante três anos seguidos. Durante o programa, tinha aulas de aviação básica, treino inicial de pilotos e aprendia inglês.

A investigação sobre as motivações do atirador ainda decorre, mas as autoridades já foram adiantando o que conseguiram retirar de alguns testemunhos, não identificados oficialmente. Alguns destes contam que o jovem terá passado a noite anterior, durante um jantar, a visualizar e a partilhar com os colegas vídeos que mostravam tiroteios em massa.

Contudo, não é o único rasto que as autoridades estão a tentar seguir. Há mesmo suspeitas de que, doze minutos antes do tiroteio, às 6:39 da manhã, uma conta de Twitter que aparenta corresponder à identidade de Mohammed Alshamrani terá publicado mensagens de ódio contra os americanos. Neste momento, a mesma conta (@M7MD_SHAMRANI) encontra-se suspensa.

As autoridades estudam ainda os dias anteriores ao tiroteio, nomeadamente uma visita do suspeito à cidade de Nova Iorque. Durante a semana do feriado de Ação de Graças, ele e mais outros três estagiários no programa internacional da base naval foram até à cidade em excursão turística. Os investigadores do caso tentam agora perceber se foi uma visita meramente turística ou se tiveram outras motivações para lá ir. Vários estagiários sauditas foram já detidos para interrogatório.

"Nada de suspeito"

Para o seu tio, Saad bin Hantim Alshamrani, não havia "nada de suspeito" nas suas atitudes, antes de se mudar para os EUA. Segundo declarações dadas à CNN, o familiar garantiu que o jovem "era amável e educado com a família e a comunidade", além de "um miúdo agradável, inteligente". Mohammed Alshamrani "tinha a sua religião, a sua honestidade e os seus compromissos", acrescentou.

Na sexta-feira, o jovem saudita matou três pessoas a tiro e feriu outras 11 na base americana de Pensacola. Acabou abatido pelas autoridades norte-americanas, que agora investigam a possibilidade de se tratar de um ato terrorista. Apesar de o secretário de defesa dos EUA, Mark Esper, mostrar-se reticente em rotular o ataque desta forma, o membro do Comité de Segurança Interna, Michael McCaul, do Texas, diz que a linha de investigação passa por aqui. "Na minha opinião, com base em todas as evidências que vi, o F.B.I. abrirá isto como um caso de terrorismo internacional", disse.

As vítimas do ataque eram três militares da Marinha norte-americana: Joshua Kaleb Watson, de 23 anos, Mohammed Sameh Haitham, de 19, e Cameron Scott Walters, 21 anos. Entre os feridos estão dois polícias, já fora de perigo.

O Rei saudita Salman bin Abdelaziz não demorou a reagir ao ataque, demarcando-se do autor do mesmo. "Não representa os sentimentos do povo, que ama o povo norte-americano", disse. Terá ligado a Donald Trump, mostrando-se "muito incomodado com as ações bárbaras", contou o presidente dos EUA, na sua conta de Twitter.

A base naval de Pensacola, onde ocorreu o tiroteio, é uma das mais conhecidas da Marinha norte-americana. Nela trabalham mais de 16 mil militares e 7400 funcionários civis.

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