Pena de prisão de 15 dias para principal opositor de Putin

Entre os detidos nos protestos, que foram os maiores desde 2015, está um acérrimo crítico do Kremlin, Alexei Navalny.

Mais de mil pessoas foram detidas na sequência das manifestações em cerca de uma dúzia de cidades da Rússia, que se realizaram no domingo, contra o governo e a corrupção no país. Um dos seus organizadores, Alexei Navalny, depois de ter sido impedido de participar no protesto na capital russa, foi ontem condenado a 15 dias de prisão e a uma multa de 20 mil rublos (cerca de 320 euros). Navalny, que pretende apresentar-se às presidenciais de 2018, fora detido na véspera com mais outras 600 pessoas em Moscovo numa manifestação não autorizada pelas autoridades da cidade.

O presidente da Câmara sugerira dois locais alternativos, mas a organização de Navalny, a Fundação de Combate à Corrupção (FBK, na sigla em russo), recusou essas opções. Noutros pontos da Rússia, houve manifestações autorizadas e outras interditas, mas todas acabaram por se realizar. Nalguns casos houve detenções, mas só em Sampetersburgo tiveram expressão semelhante à de Moscovo, tendo sido presas 131 pessoas. No entanto, alguns jornais russos referiram mais de mil detenções só na capital.

A manifestação da capital russa contou com a presença de cerca de oito mil pessoas, segundo números da polícia citados nos medias russos, o que a torna no mais concorrido ato de protesto desde o desfile após o assassínio do opositor Boris Nemtsov, a 27 de fevereiro de 2015, e a seguir às de 2012 na sequência de presidenciais e regionais consideradas fraudulentas. Segundo a FBK, em Moscovo estiveram 30 mil e mais de 150 mil em todo o país. As manifestações visaram o governo de Dmitri Medvedev, acusado de corrupção e de conivência com corruptos. Um analista russo, Leonid Bershidsky, num texto de opinião ontem divulgado pela Bloomberg, referia que o filme a apelar à mobilização para os protestos e o denunciar o enriquecimento ilícito de Medvedev tivera 13 milhões de visualizações no YouTube.

"Menores"

Num comentário às palavras de ordem dos protestos, a porta-voz de Medvedev considerou-os ontem "ataques propagandísticos". Também o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, comentou "não ser possível ter respeito por aqueles que, de forma deliberada, manipularam menores, pedindo-lhes para estarem presentes em atos ilegais em locais não autorizados, oferecendo-lhes certas recompensas, e assim pondo em risco a sua vida".

As "recompensas" a que Peskov aludia seriam indemnizações a serem pagas pelo Estado russo, através de processos interpostos no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, e os "menores" era uma referência ao facto de serem jovens na casa dos 20 ou menos a esmagadora maioria presente nas manifestações.

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