Pelo menos 69 mortos na erupção vulcânica na Guatemala

San Miguel Los Lotes parece "uma foto a preto e branco", coberta de cinzas. "Há desaparecidos, não sabemos quantos", dizem as autoridades.

Pelo menos 69 pessoas morreram no domingo, na sequência da erupção do vulcão do Fogo, na Guatemala, segundo um novo balanço do Instituto de Ciências Forenses guatemalteco.

Na segunda-feira, o diretor do Instituto de Ciências Forenses guatemalteco, Fanuel Garcia, disse que apenas 17 das 69 vítimas mortais foram até ao momento identificadas.

A comunidade de San Miguel Los Lotes, onde vivem cerca de 250 famílias, ficou totalmente debaixo de cinzas. "É como uma foto a preto e branco", segundo o relato do jornal El Periodico, da Guatemala.

Vários sobreviventes procuram saber dos seus familiares desaparecidos. Um deles, Rudy Ascón Acajabón, procurava informações sobre três sobrinhos, seis primos, a cunhada e os dois avós, desaparecidos desde o dia da tragédia.

Ao jornal, Alacabón contou que antes da erupção levantou-se uma nuvem de fumo e várias pessoas optaram por refugiar-se no centro da aldeia de El Rodeo, da qual a comunidade faz parte, enquanto outras pessoas procuraram refúgio em casa, acabando por morrer.

Eufemia Garcia, de 48 anos, disse à AFP que deve a vida ao marido, que a obrigou a sair de casa. Mas procura agora três dos filhos, a mãe e vários irmãos e sobrinhos. "Eu não queria fugir, queria voltar e regressar, mas não consegui fazer nada para salvar a minha família", lamenta.

"Se sairmos agora, outra erupção pode apanhar-nos", disse à agência francesa Efrain González, de 52 anos, que está num abrigo próximo de El Rodeo. Efrain conseguiu fugir com a mulher e o bebé de um ano, mas o filho de dez e a filha de 4 anos estão desaparecidos, depois de a lava ter destruído a sua casa.

"É preciso partir tudo e trabalhar muito porque as casas estão cheias de terra e como são paredes de cimento, converteram-se num forno", indicou o bombeiro Alejandro Rodríguez, no final do seu turno, durante o qual resgatou 12 cadáveres.

Balanço negro

Fanuel Garcia explicou que as autoridades estão a tentar identificar os corpos através de testes de ADN e através de outros meios. O responsável acrescentou ainda que a falta de eletricidade na região torna as buscas, durante a noite, praticamente impossíveis.

O vulcão, situado a oeste da Cidade da Guatemala, entrou em violenta erupção no domingo, cobrindo as aldeias circundantes de cinzas incandescentes e lava, dando pouco tempo aos residentes nas imediações para fugir.

De acordo com a agência de gestão de desastres, CONRED, pelo menos 46 pessoas ficaram feridas.

As autoridades indicaram que mais de 3200 pessoas de povoações na zona foram retiradas das habitações devido à queda das cinzas, que afetam uma área com perto de 1,7 milhões de pessoas.

"Há desaparecidos, mas não sabemos quantos", afirmou o diretor do CONRED, Sergio Cabañas.

O Instituto de sismologia guatemalteco anunciou que o vulcão, de 3763 metros de altura, está a voltar à atividade normal, mas advertiu que as ravinas, de até 80 metros de profundidade, estão cheias de matéria vulcânica, não excluindo a ocorrência de uma nova erupção.

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