Em Dallas, pela primeira vez um homem foi morto por um robô da polícia

O primeiro suspeito do tiroteio contra polícias em Dallas foi assassinado por um robô-bomba

O tiroteio desta quinta-feira em Dallas, Estados Unidos, chocou o mundo por ter sido a primeira vez no país que é organizado um ataque em que apenas os polícias são atingidos. Este episódio violento nos Estados Unidos abriu, no entanto, outro precedente: foi a primeira vez que foi usado um robô para matar um suspeito.

"Nós vimos outra opção a não ser usar o nosso robô-bomba e colocar um dispositivo na sua extensão para ele para detonar onde estava o suspeito", afirmou o chefe da polícia de Dallas, David Brown, admitindo que a polícia de Dallas utilizou um engenho eletrónico criado para desarmar bombas para lidar com Micah Johnson, o primeiro suspeito identificado do tiroteio em que morreram cinco polícias.

Johnson estava barricado numa garagem no centro da cidade de Dallas e foi morto esta sexta-feira à madrugada, após várias horas de negociação com a polícia.

Apesar de as autoridades recorrerem várias vezes a engenhos telecomandados para desarmar bombas, é a primeira vez que um homem é morto intencionalmente por um engenho robótico fora dos campos de batalha de países em guerra, onde o uso de drones já é uma realidade.

Em 2014, segundo a revista sobre tecnologia Tech Crunch, a polícia recorreu a um destes dispositivos para neutralizar, Stephen Fought, um suspeito diagnosticado com esquizofrenia que se tinha barricado armado no quarto de um motel.

A polícia chamou o esquadrão anti bomba que, usando um robô que desarma explosivos, largou "munições químicas" que levaram o suspeito a render-se. Este é um dos poucos casos em que os engenhos foram usados para contacto direto com suspeitos.

Embora não tenha sido revelado oficialmente que modelo de robô foi utilizado, especialistas da Tech Crunch acreditam que se trate de um MARCbot IV EOD, um engenho usado pelo exército norte-americano. Este modelo, segundo o exército, pode ser comandado remotamente a longas distâncias, tem uma câmara e uma bateria que dura várias horas.

Relatos de que engenhos destinados para o exército estavam a ser utilizados pela polícia já são antigos. Um relatório de 2007 da revista Wired, descreve como alguns robôs equipados com armas taser, altifalantes e microfones para negociações, câmaras de visão noturna e armas letais estavam a ser vendidas às forças policiais.

A professora de direito da Universidade da California, Elizabeth Joh, afirmou ao The Guardian que o precedente aberto hoje pela polícia traz uma série de questões e problemas "legais, éticos e técnicos" com os quais a justiça não está habituada a lidar.

Os casos de força excessiva ou fatal exercida pela polícia são julgados avaliando se "o agente ou outros estavam sob ameaça". Se for usado um robô não é possível medir, pois o agente até pode a uma distância segura.

"Por outras palavras, não temos um enquadramento para regular o uso objetivamente razoável de força robótica", explicou. "Temos de desenvolver regulamentos e políticas agora porque certamente não será a última vez em que lidamos com robôs da polícia."

Elizabeth Joh teme que a decisão da polícia tenha sido tomada de ânimo leve e sem noção das consequências.

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