"Faremos do PSOE o partido da esquerda", diz Sánchez após vitória

Com 98% dos votos contabilizados nas primárias socialistas, o ex-secretário-geral tem mais dez pontos percentuais que Susana Díaz. Líder andaluza diz que está à disposição do partido.

Pedro Sánchez vai regressar à liderança dos socialistas espanhóis, sete meses depois de ter sido obrigado a demitir-se pela direção do partido. Ganhou as primárias com maioria absoluta.

Com 98% dos votos contabilizados, Sánchez tem 50,2% dos votos, dez pontos percentuais à frente da líder andaluza, Susana Díaz, que tem 39,9%. São cerca de 15 mil votos de diferença. Patxi López, ex-líder basco, tem 9,9%. Os três candidatos aguardaram a divulgação dos resultados oficiais na sede do partido, na rua Ferraz, em Madrid, antes de falar aos jornalistas e apoiantes.

Pedro Sánchez agradeceu aos quase 200 mil militantes do PSOE que fizeram do PSOE "um partido maior, um partido vencedor", assim como a Susana Díaz e Patxi López. Houve assobios na sala, mas Sánchez lembrou que, desde pontos de vista diferentes, ambos trabalharam para o partido.

"Temos que reconhecer que quem ganhou foi o PSOE e que quando ganha o PSOE, ganha Espanha", disse. "Hoje não acaba nada, hoje começa tudo", informou. "Vamos cumprir com o mandato das urnas, que é fazer do PSOE o partido da esquerda deste país", afirmou.

"O PSOE vai fazer o indizível para mudar o rumo do país, para acabar com a corrupção do PP", defendeu o futuro secretário-geral (só o será oficialmente após o congresso do próximo mês). "Este é o quilómetro zero, o de um PSOE que se põe à frente da maioria progressista deste país", acrescentou. "Vamos construir um novo PSOE", disse, lembrando que "o que o primeiro-ministro teme é um PSOE unido".

Antes, Susana Díaz agradeceu aos companheiros, em especial aos da Andaluzia (a sua região natal e onde ganhou a Sánchez), dizendo que estará à disposição do partido. Nem uma vez disse o nome de Pedro Sánchez.

O primeiro a reagir tinha sido Patxi Lopez, chamando Sánchez de "o meu secretário-geral" e de todos os socialistas. "Amanhã, todos juntos, com ele à frente, temos que trabalhar para recuperar o PSOE. Temos que voltar a ser esse partido de referência da esquerda", afirmou.

Patxi Lopez tinha reagido antes no Twitte : "Os militantes falaram, agora temos todos que trabalhar para reconstruir o PSOE".

Sánchez esteve à frente da contagem de votos desde o princípio. O ex-secretário-geral defende um partido mais à esquerda, tendo criticado o PSOE por, com a sua abstenção, ter permitido um novo mandato de Mariano Rajoy como chefe de governo. Sánchez renunciou ao cargo de deputado antes da votação de investidura e será o primeiro líder dos socialistas em democracia que não é deputado.

A candidatura de Susana Díaz, que culpava Sánchez pelos maus resultados eleitorais (o partido tem apenas 85 deputados no Congresso), contava com o apoio de praticamente todos os ex-líderes socialistas, incluindo Felipe González e José Luis Zapatero. A sua derrota é também a derrota da elite do partido.

No total, 187 mil militantes foram convocados para eleger, nas primárias, o seu secretário-geral. A participação ronda os 80%.

Pedro Sánchez ganha em todas as comunidades autónomas a Susana Díaz, exceto na Andaluzia (a terra de Susana Díaz) . No País Basco, ganhou Patxi López, que liderou o governo da região.

Sánchez voltará a assumir a secretaria-geral do PSOE no Congresso socialista, marcado para 17 e 18 de junho. Até lá, o partido continuará a ser liderado pela comissão de gestão, liderada por Javier Fernández.

Pablo Iglesias, líder do Podemos, já reagiu no Twitter à vitória de Sánchez.

Também Albert Rivera, líder do Ciudadanos, felicitou o novo secretário-geral.

O porta-voz do PSOE no Congresso, Antonio Hernando, já anunciou entretanto a sua demissão do cargo. Sánchez tinha dito há dias, numa entrevista à Onda Cero, que se ganhasse ele não ficaria no cargo.

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