Pedro contra Susana: a luta pela liderança do PSOE do futuro

Ambos jovens e ambiciosos, o líder dos socialistas espanhóis e a presidente da Junta da Andaluzia são muito diferentes. Ele é popular entre os militantes, ela no aparelho do partido.

Pedro ou Susana? O PSOE, além da sua luta para conseguir formar governo, tem agora mais uma frente em aberto: consolidar a sua liderança. Ou mantém Pedro Sánchez (o que pode acontecer se conseguir evitar as eleições) ou é a vez da sua rival, a presidente andaluza Susana Díaz. Ela ainda não esclareceu se vai apresentar a candidatura para arrebatar o poder a Sánchez. Escolher um ou outro líder vai determinar o futuro caminhar do partido. Os dois são jovens e ambiciosos mas existem grandes diferenças entre ambos. Na sua carreira política e na sua forma de fazer política.

Pedro Sánchez (Madrid, 1972) foi eleito secretário-geral do PSOE em julho de 2014 quando era um deputado desconhecido para a maioria dos votantes. Economista, fala três línguas e tem currículo internacional. A necessidade de ar novo no socialismo acabou por dar a Sánchez a oportunidade sonhada. A sua experiência política limitava-se a quatro anos como vereador na Câmara de Madrid (2005-09) e dois como deputado (2009-11), atividade que conciliava com a de professor de Economia na Universidade Camilo José Cela. Percorreu o país à procura do apoio dos militantes e acabou por se impor ao Eduardo Madina nas primárias socialistas.

Susana Díaz (Sevilha, 1974) chegou à presidência da Junta da Andaluzia em setembro de 2013, um mês depois da renúncia ao cargo do presidente José Antonio Griñán. Até então era vereadora da Presidência e Igualdade. Com a saída de Griñán houve umas falsas primárias, sem outro candidato além de Susana, que chegou à chefia do governo andaluz sem ir a votos. Aos 25 anos já era vereadora em Sevilha, junto ao seu ídolo socialista Alfredo Sánchez Monteseirín. O salto a seguir foi com José Antonio Viera, tendo apoiado Juan Espadas como candidato do PSOE às municipais, "destruindo" assim o mentor Monteseirín. Então serviu no Congresso dos Deputados em Madrid e na Câmara andaluza.

O líder socialista nasceu no bairro madrileno de Tetuán. Filho de empregado bancário e funcionária pública, foi jogador de basquetebol até os 21 anos. Filiado no PSOE desde 1993, estudou Ciências Económicas e Empresariais na Universidade Complutense de Madrid. Acabados os estudos, trabalhou para a ONU em Sarajevo durante a guerra do Kosovo e no Parlamento Europeu com a socialista Barbara Dürh-kop. Experiências curtas mas que marcaram a trajetória de Sánchez. É casado com Begoña Gómez desde 2006, tem duas filhas: Ainhoa e Carlota, de 10 e 8 anos. Vivem em Pozuelo de Alarcón. Declara-se abertamente ateu. A sua mulher é especialista em marketing e fundos para ONG. O casal é conhecido como os "Obama espanhóis".

A líder dos socialistas andaluzes nasceu no bairro sevilhano de Triana, onde viveu com os pais e onde agora reside com o marido, José María Moriche (casaram-se em 2002). Muito discreta com a vida privada, conseguiu manter em segredo a gravidez durante três meses. Foi mãe pela primeira vez, de um rapaz, em julho do ano passado. Do marido, pouco se sabe, além de que trabalha numa cadeia de livrarias, a repor material. Os dois gostam do futebol e são adeptos do Betis. Susana é devota da Virgem de Triana e da Virgem do Rocio. E foi catequista.

Autoridade e poder

Pedro Sánchez herdou um PSOE ferido, com Alfredo Pérez Rubalcaba a ceder às pressões dos barões. A sua primeira medida polémica como secretário-geral foi demitir o presidente do PSOE madrileno, Tomás González. A executiva socialista não é a equipa de Sánchez e existe a ideia geral de que Díaz faria um bom papel a pôr ordem dentro do partido.

Entre os principais feitos de Susana Díaz está o facto de ter unido o PSOE andaluz. Recuperou a política de equilíbrios provinciais e forma as suas equipas baseada na lealdade. Conta com o apoio do "exército do Sul" e no seu currículo encontra-se uma maior experiência institucional do que no de Sánchez. Os poderes económicos, mediáticos e institucionais parecem pronunciar-se em favor dela enquanto Sánchez apela diretamente aos militantes.

Na relação com as outras forças políticas, os dois revelam capacidade para negociar com o Ciudadanos e já protagonizaram fortes confrontos com o Podemos. Mas, enquanto Díaz tem guerra declarada à formação roxa, já vimos Sánchez passear junto a Pablo Iglesias e falar de um possível acordo entre ambos. Onde estão de acordo é em relação ao Partido Popular, com o qual não querem sentar-se à mesa a negociar.

Madrid

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