Parlamento israelita dissolvido, país com novas eleições em março

Israel vai para novas eleições, as quartas em dois anos, depois de o Governo não ter aprovado um orçamento até à meia-noite desta terça-feira (22.00 em Lisboa)

O parlamento israelita foi dissolvido às 00.00 desta terça-feira (22.00 em Lisboa), por falta de acordo no Governo sobre o orçamento do Estado, levando à convocação de novas eleições, as quartas em dois anos.

O Governo tinha de aprovar um orçamento até à meia-noite desta terça-feira mas como tal não aconteceu o parlamento foi automaticamente dissolvido, devendo haver novas eleições no final de março do próximo ano.

A impossibilidade de aprovar um orçamento deve-se à relação forçada e de curta duração, oito meses, entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o seu antigo rival Benny Gantz, que em abril formaram um governo de "unidade e emergência", após uma longa crise política.

Depois de três eleições renhidas os dois políticos formaram um governo juntando as duas forças políticas, o Likud, de Benjamin Netanyahu e a coligação Azul e Branco, liderada pelo antigo chefe militar, que devia dividir rotativamente com Netanyahu a presidência do governo.

Nos últimos dias os dois partidos ainda tentaram evitar o colapso da coligação mas segundo a imprensa o descontentamento era visível, com Benny Gantz a não conseguir fazer passar as reformas na justiça que propôs, a não conseguir ser primeiro-ministro, e a ter de lidar com divisões e descontentamento na aliança que lidera.

Ao fazer um acordo com o Likud na passada primavera, Benny Gantz já tinha visto o seu partido dividido, com metade dos deputados a recusarem-se a juntar-se a um governo liderado por Benjamin Netanyahu, acusado de desvio de fundos, quebra de confiança e corrupção em vários casos.

O julgamento por corrupção de Benjamin Netanyahu deve ter desenvolvimentos no início do próximo ano.

O acordo da primavera pretendia levar o país a lutar melhor contra a pandemia de covid-19 e incluía a rotação no cargo de primeiro-ministro. Para que Benny Gantz assumisse o cargo no próximo ano era preciso um acordo sobre o orçamento do Estado, que não aconteceu.

Se Benny Gantz assistiu a divisões na coligação e perda de intenções de voto, nos últimos meses também Benjamin Netanyahu viu o Likud dividir-se, com o anúncio, este mês, da criação de um novo partido pelo seu antigo ministro Gideon Saar. O partido (Nova Esperança), de direita, aparece em segundo lugar nas sondagens, atrás do Likud.

Outro ex-ministro de Benjamin Netanyahu, Naftali Bennett, saiu também do Likud para formar um partido religioso de direita, igualmente a subir nas sondagens. As mesmas sondagens que indicam uma queda a pique da coligação Azul e Branco.

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