Papa Francisco em visita histórica aos Emirados Árabes Unidos

É a primeira visita de sempre de um líder da Igreja Católica à Península Arábica. Antes da viagem, papa falou do conflito no Iémen.

O papa Francisco já chegou aos Emirados Árabes Unidos, naquela que é a primeira visita oficial de um líder da Igreja Católica à Península Arábica, onde residem mais de 2,6 milhões de católicos (a maioria expatriados). Na agenda da viagem, que termina na terça-feira, está um encontro com muçulmanos, com líderes políticos e uma missa ao ar livre na capital Abu Dhabi.

O avião do papa aterrou em Abu Dhabi pouco antes das 22.00 locais (18.00 em Lisboa). No avião, Francisco disse que tinha sido informado que chovia no destino. "Neste país, isto é visto como uma bênção", indicou, citado pela agência AFP.

Um dos pontos altos da viagem será a participação de Francisco numa conferência sobre o diálogo inter-religioso, uma iniciativa patrocinada pelo Conselho de Anciãos Muçulmanos, com sede nos Emirados, que visa combater o fanatismo religioso e promover uma postura moderada do Islão.

A ideia partiu do xeque Ahmed el-Tayeb, o grande imã da mesquita egípcia de Al-Azhar, a reverenciada sede de mil anos do islamismo sunita que treina clérigos e estudiosos de todo o mundo.

Num comunicado divulgado no sábado, a Mesquita Al-Azhar descreveu a reunião como "histórica" e elogiou a "relação profundamente fraternal" entre o imã e o papa, que até inclui saudações de aniversário.

Por seu lado, numa mensagem de vídeo para os Emirados, na véspera de sua viagem, Francisco prestou homenagem ao seu "amigo e querido irmão" el-Tayeb e elogiou a sua coragem em convocar a reunião para afirmar que "Deus une e não se divide".

O papa deve ter um encontro privado na segunda-feira com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed ben Zayed Al-Nahyane, homem forte dos Emirados, durante o qual o sumo pontífice católico poderá abordar a situação no vizinho Iémen.

Antes de partir para a viagem, o Papa falou do conflito no Iémen, pedindo às fações envolvidas para que cumpram "urgentemente" os acordos alcançados para uma trégua na cidade portuária de Hodeida, permitindo entrar ajuda que ponha fim à crise humanitária naquele país.

Francisco exprimia-se no Vaticano depois da oração do 'Angelus', antes de embarcar num avião para os Emirados Árabes Unidos - que têm sido o principal aliado da Arábia Saudita na guerra no Iémen -- evitando desta forma constranger os seus anfitriões com um apelo público sobre este assunto enquanto estiver na região.

"Lanço um apelo a todas as partes envolvidas e à comunidade internacional para favorecerem de modo urgente o respeito dos acordos estabelecidos, assegurarem a distribuição de cuidados e trabalharem para o bem da população", declarou.

Na missa, que será junto à catedral de São José, em Abu Dhabi, na terça-feira, são esperados mais de 130 mil fiéis, que este domingo fizeram fila à chuva para conseguirem bilhetes.

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