"Acordamos num mundo mais perigoso". As reações internacionais ao ataque ordenado por Trump

"É um passo arriscado", diz a Rússia sobre o ataque dos EUA que resultou na morte do general iraniano Qassem Soleimani. A França pediu "estabilidade" na região e a China apela à "calma e contenção". Já o governo sírio denuncia uma "covarde agressão norte-americana".

A Rússia, França e China alertaram esta sexta-feira para as consequências do assassínio em Bagdade do general iraniano Qassem Soleimani, num ataque norte-americano considerado pelos russos como "perigoso" e que pode levar ao "aumento das tensões na região".

"O assassínio de Soleimani (...) é um passo arriscado que levará ao aumento das tensões na região", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, citado pelas agências RIA Novosti e TASS.

"Soleimani serviu fielmente os interesses do Irão. Oferecemos as nossas sinceras condolências ao povo iraniano", acrescentou o Ministério russo.

A França pediu "estabilidade" no Médio Oriente, após a morte do general, através da secretária de Estado para Assuntos Europeu, Amélie de Montchalin.

"Estamos a acordar num mundo mais perigoso. A escalada militar é sempre perigosa", disse Amélie de Montchalin à rádio RTL.

"Quando essas operações ocorrem, podemos ver claramente que a escalada está em andamento, quando queremos estabilidade e um decréscimo (da escalada) acima de tudo", acrescentou a secretária de Estado francesa.

Por seu lado, a China mostrou "preocupação" e pediu "calma" depois da morte do general Qassem Soleimani.

"Pedimos a todas as partes envolvidas, especialmente aos Estados Unidos, que mantenham a calma e contenção para evitar nova escalada da tensão", disse o porta-voz da diplomacia chinesa, Geng Shuang, aos jornalistas.

"A China há muito tempo que se opõe ao uso da força nas relações internacionais", disse Geng Shuang, pedindo "respeito" pela soberania e integridade territorial do Iraque.

"Um grande conflito não é do nosso interesse", diz Reino Unido

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, considerou que o "ciclo de violência, de provocações e de represálias deve cessar. Uma escalada deve ser evitada a todo custo".

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Dominic Raab, apelou a "todas as partes" envolvidas que reduzam a tensão após o ataque dos Estados Unidos no Iraque, que provocou a morte do general iraniano Qassem Soleimani.

"Sempre reconhecemos a ameaça agressiva que representava a força Quds iraniana liderada por Qassem Soleimani. Após sua morte, peço a todas as partes envolvidas que diminuam a tensão. Um grande conflito não é do nosso interesse", disse Raab num comunicado divulgado esta sex-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido.

A Alemanha também expressou a sua "grande preocupação" após a morte do general Qassem Soleimani, pedindo também uma redução na escalada da tensão.

"Nós estamos num nível perigoso da escalada de tensão e agora é importante contribuir para uma redução desta com cautela e contenção", disse Ulrike Demmer, porta-voz da chancelaria alemã, numa conferência de imprensa, apelando para que se procure soluções "através dos canais diplomáticos".

Já a Síria está certa de que essa "agressão covarde norte-americana (...) apenas reforçará a determinação de seguir o exemplo desses líderes da resistência", sublinhou uma fonte do ministério dos Negócios Estrangeiros em Damasco, citado pela agência Sana.

Por seu lado, o chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, um grande aliado do Irão, prometeu "uma justa punição" aos "assassinos criminosos" responsáveis pela morte do general iraniano Qassem Soleimani.

"Trazer a justa punição aos assassinos criminosos (...) será responsabilidade e tarefa de toda a resistência e de todos os combatentes ao redor do mundo", prometeu em comunicado o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que geralmente usa o termo de "resistência" para designar a sua organização e os seus aliados.

Iraque fala "em ataque à dignidade do país"

Em comunicado, o primeiro-ministro demissionário do Iraque, Adel Abdelmahdi, disse que a realização de "operações de ajuste de contas contra figuras da liderança iraniana em solo iraquiano são uma violação flagrante da soberania iraquiana e um ataque à dignidade do país".

O primeiro-ministro demissionário disse também que esta ação representa "uma escalada perigosa que desencadeia uma guerra destrutiva no Iraque, na região e no mundo".

Abdelmahdi denunciou também que o ataque viola as condições e o papel das forças americanas no Iraque, lembrando que a sua tarefa é treinar tropas iraquianas e lutar contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) sob a supervisão e com a aprovação do governo iraquiano".

O primeiro-ministro, que apresentou a sua renúncia no final de novembro no contexto da crise que está abalar o Iraque, também apresentou condolências pela morte de Al Mohandes e Soleiman e Soleimani, a quem descreveu como "grandes símbolos da vitória contra o EI".

Os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados por Teerão, pediram "represálias rápidas e diretas" após o assassínio do poderoso general iraniano.

"Condenamos esse assassínio e entendemos que represálias rápidas e diretas são a solução", disse Mohammed Ali al-Huthi, um alto responsável da liderança política dos rebeldes Huthis, em sua conta na rede social Twitter.

Apoiados pelo Irão, os rebeldes Huthis tomaram em 2014 a capital do Iémen, Sana, e áreas inteiras do país, devastado por uma guerra que causou a mais grave crise humanitária do mundo, segundo a ONU.

O movimento islâmico Hamas, no poder na Faixa de Gaza, um enclave palestiniano com dois milhões de habitantes, condenou o ataque norte-americano contra "o mártir" Qassem Soleimani, "um dos mais eminentes chefes de guerra iranianos". O grupo palestiniano referiu que o ataque foi "crime norte-americano que aumenta as tensões na região".

A Frente Popular de Libertação da Palestina (PFLP), um grupo armado, pediu uma resposta "coordenada" das "forças de resistência" na região.

A Guarda Revolucionária confirmou a morte do general Qassem Soleimani, na sequência de um ataque aéreo, na manhã de hoje, contra o aeroporto de Bagdad, que também visou o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi].

O Presidente dos Estados Unidos ordenou a morte do comandante da força de elite iraniana Al-Quds, general Qassem Soleimani, anunciou o Pentágono num comunicado.

Na nota, o Pentágono disse que Soleimani estava "ativamente a desenvolver planos para atacar diplomatas e membros de serviço norte-americanos no Iraque e em toda a região".

O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, prometeu vingar a morte do general iraniano Qassem Soleimani e declarou três dias de luto nacional.

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