Pai procura filho que está morto, mas ninguém tem coragem de lhe dizer

O drama de uma família que foi apanhada no meio do tiroteio no centro comercial em Munique

No meio do caos numa cidade em estado de alerta e completamente paralisada pela ameaça terrorista, surgem histórias emocionantes de quem vive o ataque. É o caso de um pai desesperado que procura pelo filho de 17 anos, que estava no centro comercial de Olympia quando começou o tiroteio, que fez pelo menos oito mortos.

A família sabe a verdade mas tem medo de contar pois o homem sofre de problemas de coração e pode não aguentar a notícia.

Esta história foi contada através do Twitter por Rukmini Callimachi, correspondente do New York Times, que chegou esta sexta-feira a Munique. Na primeira pessoa, a jornalista conta que encontrou no parque de estacionamento do hospital Schwabing de Munique um homem a andar em círculos "com os olhos cheios de sangue", vermelhos de tanto chorar.

O homem explicou a Rukmini que os dois filhos estavam no Olympia esta tarde. A filha sobreviveu, mas a família ainda não sabe onde nem como está o rapaz, de 17 anos.

Aquele era o quarto hospital em que este pai procurava pelo filho, mais uma vez sem resultados.

A verdade foi revelada à jornalista por uma prima do jovem. Afastada do homem desesperado, a prima mostrou discretamente no telemóvel fotografias de um jovem deitado numa piscina de sangue. A julgar pela imagem, o jovem está morto, quase de certeza. É o filho que aquele pai tão loucamente procura.

Quando o pai se aproxima, a prima volta a esconder o telemóvel. Ela contou que alguém que lhe enviou as imagens, mas que ninguém tem coragem de dar a notícia ao pai.

Enquanto os familiares esperam por alguma notícia no parque de estacionamento, a filha chega numa ambulância, aos gritos e a chorar, provavelmente em choque. Eles abraçam-se e logo depois a jovem é encaminhada para dentro do hospital, para receber tratamento. O resto da família vai continuar à procura do rapaz.

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