Oposição a Maduro convoca jornada de protesto de 24 horas

Henrique Capriles quer continuar a pressionar o Conselho Nacional Eleitoral par avançar com referendo revogatório

"No dia 14 haverá uma mobilização nacional. Uma jornada de 24 horas de protestos. Até que haja anúncios oficiais o povo continuará a mobilizar-se em defesa da Constituição." O protesto de ontem frente às sedes regionais do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) ainda não tinha acabado e já o governador do estado de Miranda e ex-candidato presidencial da oposição, Henrique Capriles, voltava a chamar os venezuelanos às ruas para a próxima quarta-feira - dia em que a Venezuela acolhe a Cimeira dos Países Não-Alinhados. O objetivo é pressionar o CNE para convocar um referendo revogatório ao mandato de Nicolas Maduro.

Os críticos do presidente venezuelano voltaram a protestar, mas em menor força do que há uma semana, quando reuniram 1,1 milhões de pessoas para a Tomada de Caracas. O destino dos manifestantes era desta vez o CNE, que acusam de estar a atrasar o processo para a convocação do referendo contra o presidente, não tendo ainda informado da data de início da recolha de quatro milhões de assinaturas (20% do eleitorado). A Mesa de Unidade Democrática (MUD), que reúne a grande maioria dos partidos da oposição, quer fazer essa recolha entre 17 e 19 de setembro.

"Para proteger a integridade e segurança dos seus trabalhadores", o CNE resolveu suspender as atividades no dia de ontem, com as sedes a amanhecerem rodeadas de polícias e elementos da guarda nacional. O presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, criticou a militarização destes locais por causa dos protestos que a oposição convocou como pacíficos há uma semana.

Em resposta à manifestação dos opositores, o governo voltou a chamar os seus apoiantes às ruas para defender a "paz" na Venezuela. "Somos um povo de paz e assim continuaremos a ser. A nossa vitória deve continuar a ser a paz. Eles [a oposição] devem perceber que a Venezuela é um país de paz e não violência", indicou um simpatizante de Maduro, César Gómez, citado pela Agência Venezuelana de Notícias.

"A nossa concentração é em defesa do artigo 72 [que prevê a revogação dos mandatos dos cargos eleitos]. A deles é para quê? Para provocar? O governo mobiliza a sua gente para provocar", afirmou Capriles, citado pela Unión Radio. "Quando vemos a concentração do oficialismo, há mais polícias e guardas nacionais que manifestantes", acrescentou.

Lilian Tintori, mulher do dirigente opositor Leopoldo López (que está detido), revelou pelo Twitter que os militares recorreram à força para impedir que se aproximasse da sede do CNE em Caracas, lembrando que a sua luta é "pacífica". Noutros locais, a oposição denunciou que grupos de apoiantes de Maduro se colocaram frente aos edifícios. Em Coro, de acordo com a Reuters, ambos os lados envolveram-se em confrontos, atirando pedras e garrafas, tendo sido necessária a intervenção da Guarda Nacional.

Assinaturas

O pedido da MUD para que as assinaturas possam ser recolhidas entre 17 e 19 de setembro foi feito num documento, entregue ontem pelos manifestantes no âmbito dos protestos. A oposição defende que a recolha das assinaturas tenha lugar entre as 06:00 e as 18:00 horas locais, tendo por base "uma circunscrição única nacional (a Venezuela) e não por entidade federal, porque o propósito é revogar o mandato do presidente". O governo tem defendido que deve ser 20% do eleitorado de cada circunscrição a pedir referendo.

O documento exige ainda que sejam ativados a "totalidade dos dispositivos de autenticação" (para poder validar com as impressões digitais as assinaturas) que são usados nas eleições nacionais e "os mesmos centros de voto", o que equivale a 40 mil leitores de impressões digitais e 14 mil centros eleitorais.

A oposição quer realizar um referendo até 10 de janeiro de 2017, porque só assim, em caso de derrota de Maduro, haverá convocação de novas eleições. Caso o revogatório só avance depois dessa data, então o vice-presidente assume o poder até ao final do mandato, o que significa a continuação do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) à frente do país. A popularidade de Maduro tem sido afetada pela grave crise económica - há desabastecimento e a inflação ultrapassa os 700% - com o executivo a denunciar a existência de uma "guerra económica" para desestabilizar o país.

Os novos protestos surgem dias depois de Maduro ter sido alegadamente vaiado em Margarita e o seu carro perseguido por um grupo de manifestantes que gritavam e batiam em panelas (cacerolazo) na sexta-feira à noite. O governo disse que o vídeo divulgado pela oposição do incidente foi manipulado. Ontem, o ministro das Comunas e Movimentos Sociais, Elías Jaua, lembrou que o cacerolazo como forma de protesto pacífico é um ato legítimo, mas implica sanções se for usado para promover o ódio ou para demonstrar intolerância.

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