Hollande pede extradição de Salah Abdeslam para ser julgado em França

Salah Abdeslam e outros dois homens foram detidos em Bruxelas numa operação policial conjunta franco-belga

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, confirmou, numa conferência de imprensa conjunta com o presidente francês François Hollande, que Salah Abdeslam e outros dois suspeitos foram detidos esta tarde na operação policial em Molenbeek. Charles Michel realçou a colaboração internacional para esta operação, especialmente com França e inclusivamente com os EUA, dizendo que falou telefonicamente com Barack Obama após a detenção e que o presidente norte-americano felicitou-o.

Numa declaração mais emocionada, o presidente francês, François Hollande, dedicou à memória das vítimas dos atentados de Paris o resultado da operação policial que capturou Salah Abdeslam e dois seus cúmplices. Hollande anunciou que a colaboração policial que permitiu a investigação e a operação desta tarde "irá continuar" e que "não estão terminadas" as atividades contra o terrorismo. Salientou ainda que irá formalizar o pedido de extradição de Abdeslam para França.

As detenções hoje realizadas, disse o chefe de Estado, foram "uma justiça". "É a justiça da república a funcionar", disse François Hollande. O presidente francês vai reunir no sábado um "conselho de defesa" europeu para discutir as operações antiterrorismo contra o Estado Islâmico, especialmente no cenário de guerra da Síria. "É da Síria que partiram um número destes protagonistas, devemos assim levar esta luta a um nível europeu", disse.

Cerca de uma hora depois da conferência, o procurador federal belga confirmou que foram cinco as pessoas detidas, três das quais membros da mesma família que estavam a proteger Abdeslam. Afirmou ainda, segundo a BBC, que o suspeito procurado desde os atentados de Paris, a 13 de novembro, foi preso às 16:40, hora local (menos uma em Lisboa) e que ficou "ligeiramente ferido", tendo sido transportado para o hospital.

Abdeslam foi formalmente identificado através das impressões digitais e será presente a um juiz. Para já, está num hospital no centro de Bruxelas e seguirá depois para uma prisão em Bruges, que tem uma ala para terroristas.

Um dos outros detidos será Soufyane Kayal, que terá ligações a Mohammed Belkaïd, o homem morto na operação realizada na terça-feira.

A operação policial de grandes dimensões no bairro de Molenbeek, em Bruxelas, começou a meio da tarde e terminou ao início da noite. Salah Abdeslam era um dos suspeitos de ter participado nos atentados de Paris procurado pelas autoridades e foi ferido numa perna.

Divulgado vídeo do momento em que terrorista é ferido

Durante a tarde foi divulgado um vídeo do momento em que Abdeslam é ferido. "Ah, mataram-no!" Ouve-se uma criança a dizer no vídeo captado pela montra de um café frente ao prédio onde o suspeito de ser o autor dos atentados em Paris foi ferido. Na gravação revelada pela RTBF ouve-se distintamente o tiroteio.

Enquanto a operação policial decorria com êxito, eis que surge uma gafe: O secretário de Estado para o Asilo e Migração belga, Theo Francken, foi o primeiro a escrever no Twitter: "Apanhámo-lo", referindo-se à captura de Adbeslam. Mas a mensagem foi depois apagada, dado que Francken se antecipou a uma confirmação oficial.

O bairro de Molenbeek, conhecido por ser uma espécie de "base" do jihadismo europeu, na Bélgica, tem sido alvo de vários raides nos últimos meses, fruto das investigações na sequência dos ataques na capital francesa, que provocaram a morte a 130 pessoas.

O mesmo jornal adiantou que a polícia atirou granadas na direção do edifício e que a operação foi desencadeada pela descoberta das impressões digitais e ADN de Salah Abdeslam no apartamento que, terça-feira, foi revistado pelas autoridades e onde ocorreu um tiroteio que feriu três agentes da polícia e um suspeito, Belkaïd, foi morto. Tratava-se de um argelino que residia na Bélgica de forma ilegal e que, de acordo com as últimas informações avançadas pela imprensa local, terá dado apoio logístico aos atentados de Paris.

Abdeslam é suspeito de ter participado nos atentados de 13 de novembro em Paris, nomeadamente de ter feito parte do grupo que disparou sobre esplanadas e restaurantes, juntamente como o irmão, Brahim Abdeslam - cujo funeral se realizou ontem num cemitério em Bruxelas -, que se fez explodir nessa noite, enquanto Salah fugiu.

Com Patrícia Jesus e Artur Cassiano

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