"O quarto todo tremia". Os relatos de quem sobreviveu aos ataques do Sri Lanka

Turistas ou naturais de Colombo contam como viveram os momentos do atentado.

Uma séries de explosões fizeram este domingo mais de 200 mortos: os ataques, a hotéis e igrejas na capital, Colombo, e arredores - nomeadamente a norte de Colombo, em Negombo, onde há uma forte presença católica - apanham turistas e fiéis que celebravam o Domingo de Páscoa, o dia mais importante na Semana Santa.

Uma das vítimas mortais é um jovem português, com cerca de 30 anos, que estava no Sri Lanka em viagem turística com a mulher. O cidadão nacional estaria hospedado num dos hotéis que foram atingidos, tal como Akshat Saraf, que se encontrava no Shangri-La Hotel em Colombo com a mulher e a filha. "Do 25.º piso conseguimos ouvir duas explosões fortes e o quarto inteiro tremia, por isso decidimos descer para a receção, mesmo que não conseguíssemos ver grande coisa da nossa janela", contou à BBC.

"Assim que descemos as escadas consegui ver que os serviços de emergência já tinham chegado. Levou-nos dois ou três minutos para descermos as escadas e nessa altura a polícia e as ambulâncias tinham chegado. Consegui ver muitos hóspedes a serem levados para diferentes hospitais. Houve vítimas, cerca de 40 funcionários do hotel e hóspedes", frisou.

Julian Emmanuel, que vive em Surrey, no Reino Unido, mas cresceu no Sri Lanka, estava com a família no Cinnamon Grand Hotel em Colombo, outro dos hotéis que foram atingidos. Diz que acordou com uma enorme explosão. "Havia ambulâncias, bombeiros, sirenes da polícia", explica. Quando a família tentou sair do quarto, foi obrigada a regressar. "Disseram-nos que tinha havido uma bomba. Os funcionários disseram que algumas pessoas tinham sido mortas. Um deles disse-me que tinha sido um bombista suicida", explicou à BBC. "Tenho família no Sri Lanka, nasci no Sri Lanka", acrescentou, sublinhando que está relutante em partir.

Asela Waidyalankara testemunhou a explosão no hotel em frente ao jardim zoológico de Dehiwala: subiu ao terraço do hotel onde estava para tentar perceber o que acontecera e logo após o estrondo viu dois helicópteros a sobrevoarem a zona, disse à CNN, seguidos do som de ambulâncias e carros de bombeiros.

"Interrogo-me de onde veio este ataque. Que Deus nos salve", disse à BBC Usman Ali, natural de Colombo, que vive nas imediações de uma das igrejas atacadas. Ali foi um dos que imediatamente responderam ao apelo de doação de sangue e, no Centro Nacional do Sangue encontrou centenas de pessoas. "Havia enormes multidões e estradas congestionadas, as pessoas estacionavam em qualquer lado para ir dar sangue. Todos tinham a mesma intenção: ajudar as vítimas da explosão, independentemente da religião ou raça", sublinhou.

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