"O mundo vive um surto horrível de violência doméstica". Guterres apela à proteção das vítimas

Devido ao confinamento imposto por vários países para travar a pandemia de covid-19, muitas mulheres e crianças, vítimas de violência doméstica, estão desprotegidas nas suas próprias casas. "Devemos garantir que possam pedir ajuda de maneira segura", disse o secretário-geral da ONU no apelo que fez aos governos.

O secretário-geral da ONU lançou um apelo global no domingo para que se protejam mulheres e crianças "em casa", desprotegidas pelo confinamento provocado pela pandemia da covid-19 que exacerba a violência doméstica.

António Guterres solicitou o estabelecimento de "sistemas de alerta de emergência em farmácias e lojas de alimentos", os únicos locais que permanecem abertos em muitos países.

"Devemos garantir que as mulheres possam pedir ajuda de maneira segura, sem que os que as maltratam percebam", insistiu.

"A violência não se limita ao campo de batalha", disse António Guterres num vídeo em inglês, com legendas em francês, árabe, espanhol, chinês ou russo, no qual se recorda o apelo recente para um cessar-fogo em todos os teatros de guerra para melhor se combater a doença.

"Infelizmente, muitas mulheres e crianças estão particularmente em risco de violência exatamente onde deveriam ser protegidas. Nas suas próprias casas. É por isso que hoje apelo por uma nova paz em casa, nas casas, em todo o mundo", afirmou o secretário-geral da ONU.

"Peço a todos os governos que tomem medidas para prevenir a violência contra as mulheres"

"Nas últimas semanas, à medida que as pressões económicas e sociais pioraram e o medo aumenta, o mundo vive um surto horrível de violência doméstica", disse.

"Peço a todos os governos que tomem medidas para prevenir a violência contra as mulheres e forneçam soluções para as vítimas como parte dos seus planos de ação nacional contra a covid-19", apelou António Guterres.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 68 mil.

Dos casos de infeção, mais de 283 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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