O mistério sobre Kim Jong-un. "Gravemente doente" ou a recuperar de uma cirurgia?

Media internacionais dizem que o líder norte-coreano poderá estar em "morte cerebral". Coreia do Sul desmente o estado grave, mas Kim faltou ao evento mais importante do país.

Os rumores de que o líder da Coreia do Norte poderá estar gravemente doente começaram quando Kim Jong-Un faltou ao evento mais importante do país: o aniversário do nascimento daquele que é considerado o pai fundador da nação, Kim Il Sung., e avô do atual líder.

Foi no dia 15 de abril e não houve nenhuma explicação oficial para a ausência de Kim, que nunca antes tinha faltado à comemoração. Foi visto pela última vez quatro dias antes, a 11 de abril, mas numa imagem partilhada pelos media estatais.

A imprensa internacional tem feito manchetes com o suposto estado de saúde do líder norte-coreano, mas as notícias que dizem que Kim está "gravemente doente", "em morte cerebral" ou "a recuperar de uma cirurgia", não têm sido possíveis de verificar, avança a BBC.

No meio da incerteza, a Coreia do Sul garantiu que os boatos sobre Kim não são verdadeiros. Do gabinete da presidência de Seul chega a confirmação de que não existem sinais específicos que indiquem que Kim Jong-un, de 36 anos, esteja em risco de vida.

No entanto, as últimas notícias sobre o líder da Coreia do Norte são das fontes oficiais do país, que não justificam a ausência na comemoração de uma data tão importante, nem sequer o facto de Kim também não ter sido visto no teste a um míssil divulgado na semana passada, onde é geralmente retratado.

Se no regime da Coreia do Norte já é difícil obter informações não oficiais, com a pandemia de covid-19 o acesso ao país ficou ainda mais dificultado.

Mas, como começaram os boatos - se realmente são apenas especulações - sobre a saúde de Kim?

Terá sido através de um relatório escrito por desertores norte-coreanos na terça-feira e citado pela CNN.

Uma fonte anónima disse ao Daily NK que Kim estaria com problemas cardiovasculares desde agosto passado que se teriam agravado com as suas visitas constantes ao Monte Paektu.

As agências de notícias começaram a seguir esta alegação, até que surgiram alguns relatórios de que as agências de inteligência na Coreia do Sul e nos EUA estavam também à procura da veracidade desses rumores.

Foi nesta altura que a imprensa nos EUA chamou para as primeiras capas dos jornais a notícia de que o líder norte-coreano estava em estado crítico após uma cirurgia ao coração.

O governo sul-coreano e fontes da inteligência chinesa negaram a informação, noticiou a Reuters. No entanto, não negaram - ninguém o fez até agora - que Kim Jong-un tenha sido operado, mas apenas as indicações de que esteja gravemente doente.

"Não temos informações que confirmem o rumor sobre o estado de saúde de Kim Jong-un que têm sido difundidas por alguma imprensa. Também não detetámos atividades fora do normal na Coreia do Norte", disse um porta-voz governamental da Coreia do Sul.

EUA insistem: Kim está doente e é grave

A CNN avança, no entanto, citando uma autoridade dos EUA com conhecimento direto da situação na Coreia do Norte, que é verdade que Kim está doente e em estado grave. Uma segunda fonte disse à estação de televisão que os EUA estão a acompanhar de perto a situação.

O Daily NK, um jornal online da Coreia do Sul sediado na Coreia do Norte, revela que Kim teria sido submetido a uma cirurgia ao sistema cardiovascular no dia 12 de abril, devido ao "fumo excessivo, obesidade e excesso de trabalho". Estará agora a receber tratamento numa vila no condado de Hyangsan.

Uma fonte sul-coreana disse à CNN na segunda-feira que os principais líderes do país estão muito cientes dos relatórios sobre o estado de saúde de Kim que têm vazado para o exterior, mas que não podem confirmar a informação.

A fonte reconheceu que os problemas de Kim relacionados ao peso e ao tabagismo são bem conhecidos, mas deixou claro que não existem dados oficiais.

Também "desapareceu" em 2014

Kim Jong Un já tinha desaparecido do olhar do público durante mais de um mês em 2014, o que também levou a especulações sobre a sua saúde. Acabaria por regressar e fê-lo apoiado a uma bengala. Dias depois, os serviços secretos da Coreia do Norte disseram que o líder tinha sido operado ao tornozelo para a remoção de um quisto.

"É fácil estar errado [também] neste caso", diz John Delury, professor de relações internacionais da Universidade Yonsei, em Seul, à CNN.

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