Novo sistema cambial aumenta viagens ao estrangeiro em 1540%

Emigrantes portugueses e luso-venezuelanos entre os afetados pela alteração ao sistema de câmbios

Os cidadãos radicados na Venezuela, entre eles os portugueses e os luso-venezuelanos, vão pagar mais 1.540% nas despesas efetuadas nas viagens ao estrangeiro, na sequência de uma alteração do sistema cambial venezuelano, hoje divulgada.

Até agora, o valor cambial a pagar por cada cidadão por consumos no estrangeiro era de 13 bolívares por cada dólar norte-americano (14,30 bs por cada euro). Com a nova medida, a cotação passará para um valor flutuante diário, a partir de 200,00 bs por cada dólar (pelo menos 220 bs por cada euro).

Na Venezuela vigora, desde 2003, um sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção local de moeda estrangeira. Para viajarem para o estrangeiro, os cidadãos têm de auxiliar o executivo a obter as "divisas" (dólares ou euros) que vão gastar durante a deslocação.

O valor autorizado dependerá da duração e do país de destino e, no caso de Portugal, oscilava entre 2.000 e 3.000 dólares anuais, para viagens superiores a sete dias. Uma vez atingido esse valor anual, o viajante deverá usar recursos próprios.

A nova taxa de câmbio foi anunciada pelo vice-presidente venezuelano de Economia Produtiva, Miguel Pérez Abad, e faz parte do novo Plano Nacional de Divisas (moeda estrangeira) implementado pelo Governo venezuelano para combater a crise, afetada pela descida dos preços internacionais do barril de petróleo.

"Este sistema de câmbio não é uma engrenagem solta na política económica venezuelana, é um componente de um plano económico articulado em diferentes frentes", disse o ministro durante uma conferência de imprensa em Caracas.

Segundo o ministro, "as viagens ao estrangeiro, os consumos com cartão de crédito, os levantamentos de dinheiro (permitidos apenas com o cartão de crédito) e "efetivo" (dinheiro) para menores idade, vão ser pagos à taxa de câmbio flutuante" correspondente ao novo sistema de Divisas Complementares (Dicom), de pelo menos 200,oo bs por cada dólar norte-americano (pelo menos 220 bs por cada euro).

Segundo Miguel Pérez Abad, o novo valor cambial passa a ser aplicado também aos serviços prestados pelas representações diplomáticas e consulares que até agora tinha uma cotação de 13 bolívares por cada dólar norte-americano (14,30 bs por euro).

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