Novo governo é "fotocópia" da equipa de Matteo Renzi

Pastas chave vão ficar com os mesmos ministros, com destaque para as Finanças. Aprovação pelo Senado não é garantida

Ministro dos Negócios Estrangeiros incumbido de suceder a Matteo Renzi, Paolo Gentiloni apresentou ontem ao presidente Sergio Mattarella os nomes que farão parte do novo executivo. Governo que já foi criticado pela oposição, que o considera uma "fotocópia" do anterior.

Da nova composição governamental há que destacar a permanência de Pier Carlo Padoan nas Finanças, uma continuidade de extrema importância numa altura que a a Itália, a terceira economia da zona euro, atravessa uma crise do sistema bancário. Muitos outros ministros com pastas chave, como a Defesa, Indústria, Saúde e Justiça, mantiveram os cargos. Os Negócios Estrangeiros, até agora assumidos por Gentiloni, passaram para Angelino Alfano, líder da Nova Centro-Direita e ministro do Interior de Renzi.

Uma continuidade criticada pelo Movimento 5 Estrelas e pela Liga do Norte. "Gentiloni é a fotocópia perdedora de Matteo Renzi", declarou Matteo Salvini, líder da Liga do Norte, convidando os italianos a manifestarem-se no sábado. Beppe Grillo, do 5 Estrelas, anunciou no seu blogue uma grande manifestação "pela dignidade dos cidadãos" até ao dia 24 de janeiro, data em que o Tribunal Constitucional deverá pronunciar-se sobre a lei eleitoral.

Falando ontem perante a direção do Partido Democrático, Matteo Renzi, garantiu que continuará a lutar para modernizar o país. E aproveitou para desejar um "bom trabalho" a Paolo Gentiloni.

O novo governo - o 64.º em apenas 70 anos - deveria tomar posse ainda na noite de ontem, abrindo caminho para votos de confiança nas duas câmaras do Parlamento ainda esta semana, essenciais para Gentiloni assumir funções.

No entanto, existem dúvidas sobre o resultado final da votação no Senado, pois Denis Verdini - antigo conselheiro de Silvio Berlusconi e líder da pequena Aliança Popular Liberal (APL), que fundou em 2015, para apoiar o governo de Renzi - ameaçou não dar os seus votos a Gentiloni se o seu grupo não estiver suficientemente bem representado no novo Executivo. A APL e o seu partido irmão, Escolha Cívica, têm 18 senadores, o que poderão impedir Gentiloni de ter uma maioria se todos votarem contra. Se se abstiverem, o novo governo consegue assumir funções.

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