Novo coronavírus "ficará connosco para sempre"

Um especialista britânico diz que covid-19 não será como a varíola, que foi erradicada, mas mais como a gripe, que requer vacinação constante.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) acredita que a pandemia de coronavírus vai desaparecer no espaço de dois anos, mas um especialista britânico não está assim tão confiante. Mark Walport, membro do grupo de aconselhamento científico para as emergências do governo britânico, disse à BBC acreditar que o vírus "ficará connosco para sempre".

Na prática, isso significa que o covid-19 não pode ser erradicado como a varíola foi, com o último caso a ser detetado na década de 1970, mas funcionará como a gripe, que requer vacinação regular.

"Este é um vírus que ficará connosco para sempre de uma forma ou de outra e quase de certeza vai requerer a repetição da vacinação", afirmou Walport. "Um pouco como a gripe, as pessoas vão precisar de nova vacinação em intervalos regulares", acrescentou.

Questionado sobre a previsão do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que usou o exemplo da Gripe Espanhola de 1918 para estabelecer o prazo de dois anos e defendeu que o avanço da tecnologia pode permitir até que aconteça mais cedo, Walport lembra que o mundo não é igual.

Por um lado, indicou, somos muitos mais do que éramos -- em 1918 o planeta ainda não tinha chegado aos dois mil milhões de habitantes. Um século depois, estamos já a caminho dos oito mil milhões. Além disso, a densidade populacional é maior e viajamos mais facilmente, o que ajuda à contaminação.

Walport disse ainda que é possível que a situação volte a ficar fora de controlo, mas que acredita que medidas mais específicas podem ser tomadas para tentar controlar a pandemia em vez de um novo confinamento total.

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