Novas oportunidades no Irão? UE prepara terreno a empresas

Comissário europeu da Energia promete anúncios em breve. Aicep quer um delegado em Teerão neste semestre. Israel critica acordo sobre nuclear. Rohani diz que Irão não é uma ameaça. Obama diz que o mundo ficou mais seguro

"O acordo histórico com o Irão abre a porta a uma cooperação mais estreita na área da energia. Haverá anúncios em breve." Com este tweet o comissário europeu para as Alterações Climáticas e Energia, Miguel Arias Cañete, manifestou ontem o interesse da UE no mercado da energia iraniano. Depois de levantadas as sanções económicas e financeiras a Teerão, a UE prepara terreno para as empresas do bloco comunitário aproveitarem novas oportunidades de investimento e negócio, nomeadamente no setor do petróleo e gás.

No mesmo dia, o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (Aicep), Miguel Frasquilho, anunciou a abertura de uma delegação no Irão neste primeiro semestre. "Já lançámos o concurso para termos um delegado em Teerão e espero que isso aconteça nos próximos dois ou três meses", disse o responsável à agência Lusa. E sublinhou: "[O Irão] é um mercado de mais de 80 milhões de consumidores. Quero deixar um sinal de otimismo e de confiança aos empresários portugueses que irão poder contar com o apoio e a presença portuguesa da Aicep em Teerão."

Também na Alemanha, o ministro da Economia , Sigmar Gabriel, se congratulou com a entrada em vigor do acordo sobre o programa nuclear do Irão e o consequente levantamento de sanções contra o país islâmico de maioria xiita. Para o também vice-chanceler, o fim das sanções "cria a possibilidade de abrir um novo capítulo nas relações económicas". Na véspera, citado pelo site da BBC, o diretor da Câmara do Comércio Irão-Alemanha, Michael Tockuss, afirmara: "Esperávamos há anos por este dia. Vai haver grandes mudanças."

Apesar da aparente euforia do setor empresarial, no campo político e diplomático nem tudo são rosas no que toca às reações ao levantamento das sanções. Tal decisão foi tomada depois de a Agência Internacional de Energia Atómica da ONU - AIEA - ter confirmado no sábado à noite, na Áustria, que o Irão tinha cumprido as exigências para travar o seu programa nuclear, estando conforme ao acordo conseguido entre Teerão e o Grupo 5+1 (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha) a 14 de julho do ano passado.

"A política de Israel continuará a ser a mesma que tem sido seguida: não permitir que o Irão adquira armas nucleares", afirmou ontem o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, considerando que o levantamento de sanções a Teerão deu ao país "mais recursos para a atividade terrorista". O candidato favorito dos republicanos à presidência dos EUA, Donald Trump, criticou a troca de prisioneiros entre Irão e EUA antes do anúncio do fim das sanções. "Eles recebem sete pessoas que queriam. Nós recebemos quatro pessoas. É assim que negociamos. É triste."

Comentando ontem pela primeira vez a entrada em vigor do acordo sobre o nuclear iraniano, bem como a troca de prisioneiros, o presidente Barack Obama disse: "Este é um bom dia. O Irão não terá uma bomba nuclear. A região, os EUA e o mundo serão mais seguros." Quase ao mesmo tempo, e já depois de os prisioneiros norte-americanos terem sido libertados pelo Irão, Washington anunciou novas sanções por causa do teste de mísseis balísticos guiados por parte de Teerão.

O presidente iraniano, o reformador Hassan Rohani, comentou por sua vez o acordo e o levantamento de sanções dizendo que o seu país não ameaça ninguém. "Nós, iranianos, estendemos a mão ao mundo em sinal de paz e ao deixarmos para trás todas as hostilidades, suspeições e conspirações abrimos uma nova página nas relações do Irão com o mundo."

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