Operação policial em Bruxelas falha caça ao homem

Procuradoria federal belga confirmou que a ação visava Salah Abdeslam

A polícia belga conduziu esta manhã uma nova operação de grande envergadura em Molenbeek, em Bruxelas, mas falhou o objetivo: apanhar Salah Abdeslam, o homem mais procurado no quadro dos atentados terroristas de sexta-feira em Pari, cuja fotografia foi divulgada no domingo.

Uma imagem do homem detido a ser introduzido dentro de um veículo pelas forças especiais foi divulgada nas redes sociais, tendo entretanto a polícia pedido às estações televisivas presentes no local para não transmitirem em direto imagens da operação, por questões de segurança.

Tratou-se de uma detenção administrativa, diferente de uma detenção judicial, ambas existentes na Bélgica. A primeira, com duração máxima de 12 horas, não implica a intervenção de procuradores ou magistrados e será motivada por perturbação da ordem pública. A segunda, com duração máxima de 24 horas, tem de ter o aval de uma autoridade judicial.

A operação policial, com cerca de quatro horas de duração - teve início às 10:10 (09:10 de Lisboa) -, envolveu a polícia federal belga, forças especiais e ainda equipas de desminagem, e ocorreu dois dias depois de uma outra na mesma comuna de Bruxelas que levou à detenção de sete pessoas (cinco delas já libertadas) por suspeita de envolvimento nos atentados terroristas de sexta-feira em Paris, que provocou 129 mortos, entre os quais dois portugueses, e mais de 400 feridos.

As duas pessoas que não foram libertadas foram entretanto acusadas de "ato terrorista" e de "participação em atividades de um grupo terrorista", anunciou o Ministério Público.

Um dos homens libertados é Mohamed Abdeslam, irmão de Brahim, que esteve envolvido nos ataques de sexta-feira, e de Salah, um dos principais suspeitos dos ataques.

Três dos autores dos atentados de Paris eram cidadãos franceses que residiam em Molenbeek, uma comuna muito problemática da capital belga considerada um "ninho" de islamitas radicais, tendo dois morrido na sexta-feira, enquanto um terceiro, Salah Abdeslam, cuja fotografia foi divulgada no domingo pelas autoridades, está em fuga.

Os ataques de Paris, perpetrados por pelo menos sete terroristas, que morreram, ocorreram em vários locais da cidade, entre eles uma sala de espetáculos Bataclan e o Stade de France, onde decorria um jogo de futebol entre as seleções de França e da Alemanha.

Entretanto, os investigadores identificaram dois novos terroristas suicidas responsáveis pelos atentados, anunciou hoje o procurador de Paris, acrescentando que um dos terroristas identificados, Ahmad Al Mohammad, tinha passaporte sírio e foi localizado na Grécia, em outubro passado.

O segundo, Samy Amimour, é um francês de 28 anos, nascido na periferia parisiense, que a justiça antiterrorista já conhecia e era alvo de um mandado internacional de captura desde 2013, disse o magistrado encarregado do inquérito, François Molins, em comunicado.

Amimour esteve envolvido no massacre de 89 pessoas na sala de espetáculos Bataclan, afirmou.

As emissoras RMC e BFM TV noticiaram, entretanto, ter sido identificado um quarto terrorista suicida, Salim, de 29 anos e natural de Paris.

Este 'jihadista' - do qual ainda não foi divulgado o apelido - foi um dos três que acionou o colete de explosivos no Bataclan.

Antes, as autoridades identificaram Ibrahim Abdeslam, irmão do homem mais procurado em França e na Bélgica, Salah, suspeito de ter integrado os comandos 'jihadistas' que cometeram os massacres de Paris, e irmão também de Mohamed, detido no sábado em Bruxelas.

O primeiro dos autores dos ataques de Paris a ser identificado pela polícia, Ismael Omar Mostefai, é alegadamente filho de uma portuguesa e de um argelino, noticiou no domingo o New York Times, citando o presidente da câmara de Chartres. Mostefai foi um dos atacantes do Bataclan.

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