No caos do debate a 11, Macron e Fillon atacam Le Pen

O segundo dos três debates antes da primeira volta das presidenciais, a 23 de abril, incluiu todos os candidatos. Líder da extrema-direita foi o alvo preferencial dos ataques de todos

No meio da confusão que implica um debate a 11 em que cada candidato deveria falar apenas 17 minutos no total, os favoritos à vitória nas presidenciais francesas não perderam tempo nos ataques cruzados. E o alvo prioritário foi a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen. O candidato do centro, Emmanuel Macron, acusou-a de "recorrer às mesmas mentiras" que o pai no passado. O de direita, François Fillon, de não ter um programa económico coerente. E o socialista Benoît Hamon, de beneficiar com o terror do Estado Islâmico.

No debate de quase quatro horas na BFMTV, o segundo de três antes da primeira volta das presidenciais e o primeiro com todos os candidatos, o objetivo era atrair o voto de mais de um terço do eleitorado francês que continua indeciso. As sondagens colocam Le Pen e Macron empatados a 25% na primeira volta das presidenciais, a 23 de abril, seguidos de Fillon (17,5%), o candidato da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon (15%) e Hamon (10%). Os restantes candidatos têm menos de 5% das intenções de voto. Na segunda volta, a 7 de maio, a vitória seria de Macron com grande margem de manobra face a Le Pen - 61% contra 39%, segundo a sondagem Ipsos para o jornal Le Monde que ouviu 14 300 pessoas.

Sendo a líder da Frente Nacional a sua principal adversária, Macron não se conteve quando o tema era a Europa. "O nacionalismo é a guerra", afirmou, lembrando que vem de uma região (Somme), "cheia de cemitérios". Quando Le Pen respondeu que ele estava a falar "como um fóssil velho", Macron reagiu acusando-a de "recorrer às mesmas mentiras" que os franceses já ouviram da boca do pai há 40 anos. Jean-Marie Le Pen, o fundador da Frente Nacional, passou à segunda volta das presidenciais de 2002, sendo derrotado por Jacques Chirac.

Mas Fillon não ficou atrás, lembrando que a política económica da líder da Frente Nacional depende de os franceses aceitarem, num referendo, sair do euro. "Como sabemos que há uma maioria que não quer sair da moeda europeia, não há política económica para Le Pen", concluiu. O candidato socialista também teve várias ocasiões para atacar, nomeadamente quando se falava em terrorismo e Le Pen disse que "a França é uma universidade de jihadistas". Hamon disse então que o Estado Islâmico serve os interesses da adversária porque lhe permite "prosperar", graças ao seu discurso anti-imigração. Le Pen negou.

No tema da "exemplaridade da classe política", foi Philippe Poutou, do Novo Partido Anticapitalista, o autor dos melhores ataques. Em relação a Fillon, disse que "quanto mais olhamos, mais histórias são descobertas", e acusou-o de "pedir às pessoas para apertar o cinto ao mesmo tempo que roubava os fundos públicos", referindo-se ao escândalo que abalou a candidatura de Fillon e que envolve o pagamento à sua mulher por trabalho que não terá feito. De tal forma foi a acusação que conseguiu que Fillon fizesse o que até então não tinha feito: o candidato da direita interrompeu-o para dizer que "não se acusam as pessoas assim".

Mas Poutou também não poupou Le Pen, acusando-a de roubar fundos europeus (num caso que envolve também a contratação de assessores) e de se esconder atrás da imunidade parlamentar. "Nós não temos imunidade operária", disse o sindicalista, sendo aplaudido pela plateia (com uma das moderadoras a pedir o fim dos aplausos). Tanto Le Pen como Fillon sentiram-se depois atacados pelas perguntas das moderadoras sobre o tema, com o candidato da direita a fugir à resposta e a dizer: "Ninguém me vai intimidar, serão os franceses que vão decidir."

Mélenchon, que tinha ganho bastante destaque no debate a cinco, já não era desta vez o candidato mais à esquerda. E com os ataques a Fillon e a Le Pen, Poutou conseguiu ter maior destaque. Já Nathalie Arthaud, da Luta Operária, não poupou críticas ao "grande capital", enquanto Jacques Cheminade, do Partido Solidariedade e Progresso, acusou todos os candidatos de estarem "submetidos às potências económicas". Jean Lassalle, do Resistir, "filho e irmão de pastores", marcou pelo forte sotaque dos Pirenéus e terminou com um "preciso de vocês".

À direita, foi notória a tentativa de Nicolas Dupont-Aignan, candidato do Primeiro a França, de captar eleitores de Fillon, lançando nas declarações iniciais: "Sempre servir os franceses, sem jamais me servir deles." E François Asselineau, da União Popular Republicana, fez rir citando sem hesitar os números dos artigos da Constituição e repetindo a ideia da "independência da França".

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