"Neve é só a ponta do icebergue"

Entrevista a Roland Schönbauer, porta-voz da Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados na Grécia

Qual é a situação no terreno na Grécia e o que tem feito o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR)?

A Grécia está a ser afetada por uma vaga de frio fora do comum e aqueles que estão a sofrer mais são refugiados e migrantes que vivem nos campos e, entre eles, especialmente os que estão nas ilhas em campos sobrelotados e não totalmente preparados para o inverno. No campo de Moria, o maior de Lesbos, que é gerido pelo governo, o ACNUR construiu três tendas gigantes aquecidas e transferimos os mais vulneráveis, como grávidas, para hotéis com os quais negociámos preços especiais.

Quantas pessoas estão ainda em tendas sem aquecimento?

Não sabemos o número exato em todos os campos. Mas posso dizer que em Moria já não há crianças e outras pessoas vulneráveis em tendas pequenas. Em Moria estão oficialmente 4600 pessoas, sendo que a capacidade é de 1300. Já dá uma ideia da sobrelotação e das dificuldades de outros atores em erguer contentores residenciais, que precisam de mais espaço que as tendas.

Apesar de este inverno estar a ser particularmente frio, estes problemas já eram esperados. O que é que falhou?

Na primavera, a Grécia viu-se confrontada com a presença de 60 mil refugiados e migrantes para os quais não tinha capacidade de acolhimento. As pessoas foram colocadas em campos temporários e a esperança era a relocalização noutros países europeus. Mas os compromissos não foram cumpridos totalmente: só 12% das vagas disponíveis foram desbloqueadas. Nos campos houve problemas de coordenação, de planeamento e alguns apoios chegaram tarde. Em Lesbos, o principal problema parece ser a neve. Mas a neve é só a ponta do icebergue. Há um problema muito maior que é a lentidão do registo dos refugiados, que causa a sobrelotação. Quando a neve derreter, este problema vai continuar, a não ser que os países europeus enviem pessoal para ajudar a acelerar o processo, que as transferências para o continente aumentem e acelere a relocalização para outros países europeus.

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