Neo-nazis italianos queriam vender míssil ar-ar por 470 mil euros

Um míssil ar-ar de fabrico francês e com a inscrição da Força Aérea do Qatar foi apreendido numa operação da unidade antiterrorista da polícia de Turim. Estava à venda por 470 mil euros.

Três pessoas foram detidas na sequência da investigação iniciada há cerca de um ano, quando a polícia de Turim começou a monitorizar pessoas ligadas a movimentos políticos de extrema-direita e que tinham lutado no leste da Ucrânia contra os independentistas pró-russos.

Além do míssil Matra R530F, sem carga explosiva, mas pronto a utilizar, os investigadores apreenderam nove armas de assalto, uma metralhadora, sete pistolas, três espingardas, 20 baionetas, e cerca de mil cartuchos. Foram também apreendidos materiais de inspiração nazi.

Segundo o La Reppublica, entre os detidos figura Fabio Del Bergiolo, militante do partido fascista Forza Nuova e ex-inspetor aduaneiro especializado em luta antifraude. O suíço Alessandro Monti, também detido, é o dono da empresa proprietária do hangar onde o míssil estava guardado.

As suspeitas sobre Del Bergiolo nasceram dos telefonemas que intercetaram as suas tentativas de vender o míssil de guerra por cerca de 470 mil euros. Entre os potenciais compradores havia um funcionário público estrangeiro que mostrou interesse, mas exigiu documentação sobre a compra do míssil.

O magistrado Giuseppe De Matteis comentou a operação como um "golpe com poucos precedentes tendo em conta a qualidade das armas e o potencial violento".

Ligações aos ultras da Juventus

Esta operação faz parte de uma mais ampla relativa aos grupos de extrema-direita e das suas infiltrações nas claques de futebol, em especial da Juventus. Na semana passada, outra série de buscas teve lugar nas casas de vários militantes de extrema-direita, incluindo o Legio Subalpina, um grupo violento de origem milanesa que se estabeleceu em Turim. O seu líder, Fabio Carlo D'Allio, conhecido das autoridades por atos de violência, porte ilegal de armas e apologia ao fascismo, foi preso durante a operação, na qual foram descobertas munições em sua casa.

Nas casas de outros membros da Legio Subalpina, foram encontradas facas e réplicas de espingardas de assalto. A polícia também encontrou roupas, autocolantes e faixas relativas aos grupos de ultras da Juventus Drughi Giovinezza e Tradizione Antichi Valori.

A claque Drughi Giovinezza colocou uma faixa de apoio a Fabio Carlo D'Allio no dia seguinte à sua detenção. Mario Borghezio, antigo eurodeputado da Liga, partido de Matteo Salvini, também apoiou Carlo D'Allio.

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