NATO insatisfeita por passar só um dia em exercício russo

Rússia e Aliança Atlântica divergem quanto aos números de efetivos militares que Zapad 2017 vai envolver nas fronteiras aliadas

O exercício militar Zapad 2017, que começa no dia 14 e envolve milhares de tropas da Rússia e da Bielorrússia, vai ser acompanhado pela NATO e pelos seus membros de "muito mais perto" do que "no passado".

A afirmação foi feita esta semana pelo porta-voz da NATO, Piers Cazalet, num encontro com jornalistas, em Bruxelas, reforçando a mensagem de preocupação que o Zapad 2017 tem vindo a suscitar junto da Aliança e, muito em especial, dos países membros que fazem fronteira com as regiões onde o exercício vai realizar-se.

"Não há indicações" de que o Zapad 2017 "vá ser usado para uma invasão de tropas ou para qualquer forma de agressão, mas precisamos de transparência", argumentou Cazalet. O problema parece residir na enorme disparidade de efetivos envolvidos, consoante a fonte sejam os organizadores ou sejam os vizinhos da Rússia - e, por extensão, a NATO.

A Rússia e a Bielorrússia alegam que os efetivos empenhados rondam os 13 mil - enquanto os aliados apontam para um total de 100 mil.

Com base naqueles números, a Rússia evita atingir o patamar de efetivos que a obrigaria a convidar observadores externos para acompanharem e monitorizarem o exercício ao abrigo da Convenção de Viena. O que vai suceder é que permitirá durante um dia - o chamado Dia dos Visitantes Ilustres - que adidos militares dos países aliados acreditados em Moscovo e Minsk, bem como três observadores da NATO, assistam ao Zapad 2017.

Segundo fontes da NATO, o que a Rússia está a fazer é fatiar as suas forças, como se o Zapad2017 consistisse num somatório de diferentes exercícios militares e cada um com efetivos inferiores aos 13 mil definidos pela Convenção de Viena que imporiam a referida presença de observadores externos.

Acresce que os aliados entendem ser aquele um exercício ofensivo - que envolve capacidades nucleares - e não defensivo, como diz a Rússia.

"Estamos a observar este exercício. Temos algum diálogo" com Moscovo, "vários países têm canais próprios" e "o diálogo está a funcionar até certo ponto", prosseguiu o porta-voz da Aliança. "Isso deixa-nos satisfeitos", desde logo porque "até agora não há sinais que que suscitem alguma preocupação particular", assinalou Piers Cazalet.

"A questão da transparência" é o que está em causa para a NATO, pois é o que permite a "compreensão e previsibilidade" do que são as intenções e motivações de Moscovo, observou ainda Piers Cazalet.

Note-se que a cimeira de Varsóvia (2016) definiu a comunicação como um princípio da sua política de dissuasão. Como o silêncio constitui uma resposta e transmite uma mensagem, pode assim concluir-se que essa não é uma abordagem que a NATO considere nesta altura adequada - e é seguro que pode garantir vitórias sem disparar um tiro.

* em Bruxelas

O jornalista viajou a convite da NATO

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