NATO: "Concordamos que o Irão nunca deve adquirir uma arma nuclear"

A Aliança Atlântica condenou esta tarde as intenções de Teerão em matéria de armamento nuclear.

O Conselho da Aliança Atlântica esteve esta segunda-feira reunido de emergência, para avaliar as consequências aumento da Tensão entre os Estados Unidos e o Irão, depois do ataque que vitimou o general Soleimani, no Iraque.

Na reunião, acompanhada na sede da Nato em Bruxelas, pelo DN, Jens Stoltenberg apelou ao serenar dos ânimos. No final do encontro com os 29 embaixadores dos aliados, Stoltenberg afirmou que os aliados são unânimes a condenar as intenções de Teerão, que poderão conduzir à retomada do programa nuclear e ao enriquecimento de Urânio.

"Concordamos que o Irão nunca deve adquirir uma arma nuclear. Partilhamos a preocupação relativa aos testes de mísseis do Irão", afirmou, acrescentando que a Nato é unânime a "condenar o apoio do Irão a cerca de 80 diferentes grupos terroristas" e assim apela a um desagravar da tensão.

"Vimos recentemente um agravamento [da atividade] da parte do Irão, incluindo o ataque a uma instalação de energia saudita e o derrube de um drone americano. Os aliados pediram contenção e os serenar dos ânimos. Novos conflitos não interessariam a ninguém. Por isso, o Irão deve abster-se de mais violência e provocações", afirmou num tom crítico.

Após o ataque que vitimou o general Soleimani, a Nato suspendeu as missões de treino no Iraque. Stoltenberg garantiu que serão retomadas quando houver condições. "A segurança do nosso pessoal é fundamental. Por isso, suspendemos por enquanto a formação [militar] no terreno. E estamos a tomar todas as precauções para proteger o nosso pessoal", disse Stoltenberg.

"Mantemos a situação em permanente revisão. Continuamos em contacto próximo com as autoridades iraquianas. A Nato está preparada para continuar as nossas missões de treino e preparação assim que a situação o permitir", afirmou.

"Porta-aviões" da UE mobilizado

Entretanto a União Europeia acaba de mobilizar a mais poderosa arma do seu arsenal: a diplomacia. O Alto Representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança, Josep Borrel convocou os ministros dos negócios estrangeiros para uma reunião extraordinária, para "discutir os recentes desenvolvimentos sobre o Iraque e Irão".

Numa curta nota divulgada em Bruxelas, Borrel afirma que "a União Europeia irá desempenhar todo o seu papel, para procurar o desagravamento de tensões na região. Ainda neste fim de semana, o Alto Representante convidou o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, para estar presente na reunião, com os seus homólogos europeus, em Bruxelas.

No encontro será abordada "basicamente, toda a situação na região", segundo confirmou o porta-voz de Josep Borrel, referindo-se ao assassinato do general Soleimani, mas também o dossier nuclear e o anuncio de Teerão para restaurar o programa de enriquecimento de urânio. Porém, não está ainda confirmada a presença de Javad Zarif.

Numa mensagem emitida ainda na sexta-feira, o chefe da diplomacia europeia, tinha defendido que "o atual ciclo de violência no Iraque deve ser interrompido antes que fuja do controlo".

"A UE apela a todos os atores envolvidos e aos parceiros que podem ter influência para exercer a máxima contenção e mostrar responsabilidade neste momento crucial", afirmou, frisando que "outra crise corre o risco de comprometer anos de esforços para estabilizar o Iraque".

"Além disso, a escalada em curso ameaça toda a região, que sofreu imensamente e cujas populações merecem vida em paz", alertou, defendendo "mais diálogo e esforços para aprimorar a compreensão mútua (...) para oferecer soluções de longo prazo para a estabilização do Médio Oriente".

"A UE está pronta para manter os seus compromissos com todos os lados, a fim de contribuir para diminuir as tensões e reverter a dinâmica do conflito", afirmou Borrel.

Bruxelas condena intenção de suspender acordo nuclear

Já esta tarde, a Comissão Europeia lançou um apelo à contenção, perante a situação de instabilidade no Médio Oriente. O porta-voz do chefe da diplomacia europeia, Peter Stano lamentou o distanciamento de Teerão face ao acordo nuclear, considerando que há "todo o interesse", do ponto de vista europeu, na manutenção desse acordo.

"É do nosso interesse como europeus manter este acordo, que é uma pedra angular da arquitetura de não proliferação [de armas nucleares]", afirmou em Bruxelas, considerando tratar-se de "uma conquista muito importante da diplomacia internacional do plano de acção para o acordo nuclear", pois "foi o resultado de intensos esforços diplomáticos, que podem trazer frutos e que podem funcionar se todos os participantes mantiverem o acordo".

"Para nós, é realmente lamentável conhecer o anúncio do Irão. Mas, assim temos que confiar e temos de ver o que a Agência Internacional de Energia Atómica diz sobre as ações no terreno", afirmou.

Já sobre os apelos do alto representante para a política externa, para o serenar dos ânimos, Peter Stano recusa-se a dizer se a mensagem de Josep Borrel também visa o tom do discurso do presidente americano.

"A natureza da diplomacia não é de domínio público. É exatamente disso que se trata a diplomacia. É preciso conversar nas salas de reunião ou em linhas telefónicas seguras e não em público, para que haja resultados. Não é comentar cada movimento, a cada passo, qualquer conteúdo, tópico ou comentário em qualquer rede social ou outros meios de comunicação" considerou

Surto generalizado de violência no Médio Oriente

Na primeira reação institucional em Bruxelas, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel considerou, ainda na sexta-feira, que deve ser evitada a "escalada adicional" da tensão.

Sem nunca mencionar a morte de Qassem Soleimani, o presidente do Conselho Europeu afirmou que o ciclo de violência no Iraque tem de cessar. Charles Michel considera igualmente que é altura de terminar com a onda de "provocações e retaliações testemunhadas nas últimas semanas".

O presidente do Conselho Europeu defende que que "a todo o custo", deve ser evitada uma escalada adicional do conflito. Charles Michel salienta que "o Iraque continua a ser um país muito frágil", em que reinam as "armas e as milícias", atrasando o processo de "retorno dos iranianos à vida normalizada".

Em jeito de alerta, o presidente do Conselho Europeu afirmou que "o risco de um surto generalizado de violência em toda a região" existe, e o "surgimento de forças obscuras do terrorismo que prosperam em momentos de tensões religiosas e nacionalistas", não deve ser descurado.

Também na sexta-feira, a antiga titular da pasta, a Italiana Federica Mogherini veio a terreiro alertar para "a escalada extremamente perigosa no Médio Oriente".

"Espero que aqueles que ainda acreditam em sabedoria e racionalidade prevaleçam, que algumas das conquistas diplomáticas do passado sejam preservadas e que um confronto em grande escala seja evitado", vincou a antiga chefe da diplomacia europeia.

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