Mulher de Fillon quebra o silêncio sobre o "emprego fictício"

Penelope Fillon deu entrevista para "acabar com os rumores" e garante que desempenhava várias tarefas, negando que recebia dinheiro sem fazer nada

Penelope Fillon, a mulher de François Fillon, candidato dos Republicanos investigado por gastos indevidos - alegadamente por ter pago à mulher e filhos por empregos fictícios - decidiu quebrar o silêncio e dar uma entrevista ao Journal du Dimanche para falar do caso pela primeira vez.

Publicada este domingo, a conversa serviu, segundo Penelope, para "pôr um fim aos rumores" desde que estalou o escândalo que está a abalar a campanha presidencial de Fillon: segundo a própria disse aos investigadores, foi empregada pelo marido como assistente parlamentar entre 1988 e 1990, entre 1998 e 2002 e, finalmente, entre maio de 2012 e novembro de 2013, ainda que a posição nunca tivesse sido oficialmente reconhecida. E desempenhava, diz agora na entrevista ao Journal du Dimanche, "tarefas variadas", pelas quais recebia 3677 euros líquidos por mês.

"O meu trabalho era ajudá-lo na relação de eleito com as pessoas", justificou. "Ele [Fillon] precisava de alguém. Se não tivesse sido eu, tinha pago a outra pessoa para o fazer. Por isso decidimos que seria eu", esclareceu. "Tratava do correio com a secretária. Preparava para o meu marido notas e fichas sobre as manifestações locais, para que ele pudesse com estas notas fazer as suas alocuções. Fazia-lhe também uma espécie de revista de imprensa local. Representava-o nas manifestações. Relia os discursos dele".

Penelope refere ainda, na mesma entrevista, que deu aos investigadores documentos e e-mails que provam o trabalho que desempenhava, mas assinala que encontrou muito pouca coisa das tarefas que realizou nos anos anteriores a 2007. "Quem guarda documentos deste género de há dez, quinze ou vinte anos?", questionou.

Ao contrário do marido, que já denunciou uma tentativa de assassinato político na forma como a justiça se entregou do caso, Penelope diz ter confiança na gestão da investigação. Mas assinala: "é verdade que podemos pensar num complô quando vemos as proporções que tomou. Mas não sei. Agora que estou acusada de todas estas coisas, não quero acusar outras pessoas sem provas".

E, comentando a forma como muitos apoiantes e elementos da campanha abandonaram nos últimos dias a candidatura de François Fillon, garante que, "ao contrário dos outros", ela não abandonará o marido. "Digo-lhe que tem de ir até ao fim". "Como tenho confiança nele e naquilo que quer fazer por França, considero que vale a pena".

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