Rússia promete que não vai entrar em guerra com a Ucrânia

"Temos relações com o Estado ucraniano, que para nós é mais importante do que o regime que detém o poder", disse o chefe da diplomacia Serguei Lavrov.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia prometeu hoje que o seu país não irá entrar em guerra com a Ucrânia, mas alertou Kiev contra qualquer provocação na sua fronteira.

"Não entraremos em guerra com a Ucrânia, prometo-vos", disse Serguei Lavrov, numa entrevista com jornalistas e leitores do jornal Komsomólskaya Pravda, emitida em direto na página na Internet.

O chefe da diplomacia assegurou que a Rússia não combate o regime ucraniano.

"Contra o regime ucraniano lutam os habitantes russófonos da Ucrânia", disse, numa alusão ao conflito armado no leste do país vizinho.

"Temos relações com o Estado ucraniano, que para nós é mais importante do que o regime que detém o poder", afirmou, reiterando que não se pode "imaginar que a Rússia declare guerra à Ucrânia".

Lavrov advertiu, no entanto, que Moscovo responderá com contundência a qualquer provocação ucraniana na fronteira entre os dois países.

"Temos informação (...) de que na linha de separação de forças (no leste da Ucrânia) os militares ucranianos concentraram cerca de 19.000 homens e uma grande quantidade de armamento pesado, para o que contam com a ajuda de instrutores norte-americanos e britânicos", disse.

Acrescentou que a Rússia tem dados que indicam que "nos últimos dez dias de dezembro [o Presidente ucraniano Petro] Poroshenko planeia uma provocação na fronteira com a Rússia, na fronteira com a Crimeia".

"Receberá uma resposta que não esquecerá. É o nosso país, são as nossas fronteiras", avisou.

O chefe da diplomacia russa insistiu que a solução para o conflito no leste da Ucrânia, que segundo a ONU fez mais de 10.000 mortos, passa pelo cumprimento dos acordos de paz de Minsk e pelo respeito dos direitos e interesses da população russófona.

A tensão entre a Rússia e a Ucrânia aumentou desde que Moscovo apreendeu, a 25 de novembro, três navios de guerra ucranianos que tentavam passar do Mar Negro para o de Azov, capturando 24 elementos das tripulações.

Trata-se do primeiro confronto militar aberto entre Moscovo e Kiev depois da anexação pela Rússia, em 2014, da península ucraniana da Crimeia, e do início do conflito armado no leste da Ucrânia entre as forças governamentais e os separatistas pró-russos.

Kiev e os seus aliados no Ocidente acusam a Rússia de instigar o conflito e de apoiar militarmente os separatistas, o que Moscovo rejeita.

A Ucrânia reclama novas ações contra a Rússia na sequência desta nova escalada de tensão.

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