Moro sobre bolsonaristas: "Tão loucos mas tão poucos". Bolsonaro sobre Moro: "Cobarde"

Presidente da República atribui culpa por não ter facilitado a posse de armas de fogo pela população ao seu ex-ministro da justiça, que diz que a intenção dele "era promover uma rebelião armada" contra o isolamento social na pandemia

A tensão entre Jair Bolsonaro e Sérgio Moro subiu de tom nas últimas horas.

Na manhã desta segunda-feira, o presidente da República acusou o ex-ministro da justiça de ser "cobarde" e de ter dificultado "a posse de armas de fogo a pessoas de bem". "Graças a Deus ficamos livres dele", concluiu.

Em resposta, o antigo juiz da Operação Lava Jato afirmou que a flexibilização de posse e porte de armas, pretendidas pelo ex-capitão do exército, eram para "promover uma espécie de rebelião armada contra medidas sanitárias impostas por governadores e prefeitos".

Entretanto, sob fortes acusações de Bolsonaro, dos seus filhos políticos e de muitos apoiantes do presidente nas redes sociais, Moro provocou o outro lado no domingo à tarde com uma publicação no Twitter.

Comentando uma manifestação de centenas de pessoas em frente ao Palácio do Planalto, Moro escreveu "tão loucos mas, ainda bem, tão poucos".

A escalada de ataques de uma parte e de outra surge enquanto na justiça corre investigação de seis eventuais crimes de Bolsonaro por, de acordo com Moro, ter interferido na polícia federal.

Moro, que também corre o risco de ser processado por calúnia ou por prevaricação por não ter denunciado o presidente mais cedo, apresentou como prova trocas de mensagens entre ambos e uma reunião ministerial em que o segundo diz que quer mexer na segurança para preservar a família. "Não vou esperar f**** alguém da minha família", afirma.

O ex-juiz, rosto da luta contra a corrupção no Brasil, era um dos maiores trunfos do governo Bolsonaro. Ele mandou prender Lula da Silva pela posse ilícita de um apartamento pouco antes do início da campanha eleitoral - o antigo presidente liderava as sondagens, à frente de Bolsonaro, que acabou eleito.

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