Milhares de migrantes menores sob custódia dos EUA denunciam abusos sexuais

Entre outubro de 2014 e julho de 2018, terão sido apresentadas mais de 5800 queixas. Em pelo menos 154 casos que chegaram ao Departamento de Justiça, o responsável pelos alegados abusos terá sido um funcionário.

O Departamento de Saúde dos EUA recebeu mais de 5800 queixas de abusos sexuais contra migrantes menores desacompanhados entre outubro de 2014 e julho de 2018. A revelação foi feita pelo congressista democrata Ted Deutch numa audiência sobre a política de tolerância zero da Administração de Donald Trump contra a imigração ilegal, que levou à separação de milhares de crianças dos pais na fronteira.

Segundo os dados, publicados no site Axios, só no segundo trimestre de 2018 houve 514 denúncias ao Gabinete de Recolocação de Refugiados -- o valor mais elevado desde o início de 2015. No total, este recebeu 4556 queixas, enquanto o Departamento de Justiça recebeu 1303 (não é claro se existe dupla denúncia ou se são casos diferentes).

No caso das denúncias ao Departamento de Justiça, a maioria dos perpetradores (851) terão alegadamente sido outros menores sob custódia dos EUA. Mas em 178 casos, os responsáveis terão supostamente sido funcionários dos centros."É uma média de um crime sexual por parte de um funcionário contra um menor desacompanhado por semana", disse o congressista.

As agressões sexuais vão desde rumores de relações dentro dos centros até mostrar-lhes pornografia ou tocar-lhes nos órgãos sexuais. De acordo com a Axios, em muitos casos, os funcionários foram afastados do serviço e despedidos.

Um dos responsáveis pelos serviços do Departamento de Saúde, Jonathan White, citado pela CNN, "a grande maioria das alegações acabam por não ter fundamento quando são investigadas" pelas autoridades. Mas deixou também claro que "cada vez que uma criança é abusada estando ao cuidado do Gabinete de Recolocação de Refugiados é demais".

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