Mike Pompeo disse mesmo que o Reino Unido vai extraditar Assange para os EUA?

A notícia está nos sites noticiosos internacionais e também portugueses, citando o diário equatoriano El Universo: segundo o secretário de Estado Mike Pompeo, o Reino Unido teria acedido a extraditar o fundador da Wikileaks, Julian Assange, para os EUA. Uma informação contraditória com a posição tomada há uma semana pelo governo britânico e que na verdade não é clara nas declarações do governante.

"Como vê o seu país o acordo entre o Equador e o Reino Unido de não extraditar Julian Assange a qualquer país onde possa enfrentar pena de morte?" A pergunta é do jornal equatoriano El Universo, na sua edição on line deste domingo, a Mike Pompeo, o secretário de estado norte-americano que está em visita à América Latina e chegou sábado ao Equador. A resposta de Pompeo é curta: "Cremos que é imperativo que Julian Assange enfrente a justiça."

O jornal insiste: "Em que país?" Pompeo elabora: "Já fizemos o pedido pelo que será extraditado para os Estados Unidos, onde é procurado pela justiça. Não posso dizer mais nada, mas o meu governo crê que é importante que este homem que foi um risco para o mundo e pôs em perigo soldados americanos seja sancionado pela justiça."

A entrevista ao chefe do Departamento de Estado, cujo cargo é o correspondente ao de ministro dos Negócios Estrangeiros, e cuja data de publicação são as zero horas deste domingo, não puxa a título o caso de Assange e nenhum dos principais jornais americanos ou britânicos fez, até ao fecho desta notícia, menção ao assunto. São títulos de outros países, como a França, México, Holanda, Itália e também Portugal que dão como certa a extradição. Também a Wikileaks mantém até agora o silêncio sobre estas declarações de Pompeo, que pela sua formulação poderão ser tanto uma afirmação como a expressão de uma convicção -- a de que os tribunais britânicos decidirão a favor da extradição.

Mas uma semana o ministro de Estado britânico para a Europa e as Américas, Alan Duncan, também em visita ao Equador, tinha assegurado que Assange não seria extraditado para um país onde pudesse arriscar a pena de morte -- é o caso dos EUA, que acusam o australiano de ter infringido a Lei da Espionagem ao publicar no portal WikiLeaks uma série de documentos secretos com os nomes de pessoas que forneceram informações às forças americanas e da coligação no Iraque e no Afeganistão.

Assange invoca o estatuto de jornalista e a proteção que a Primeira Emenda da Constituição norte-americana concede à liberdade de expressão para evitar a extradição, cujo processo autorizado em junho pelo ministro do Interior, Sajid Javid, um requisito para poder avançar nos tribunais britânicos.

Julian Assange, de 47 anos, encontra-se atualmente detido na prisão de Belmarsh, nos arredores de Londres, a cumprir uma pena de 50 semanas de prisão por desrespeitar as condições de liberdade condicional em 2012. As acusações que sobre ele impendem nos EUA incluem espionagem e têm uma moldura penal de 170 anos de prisão.

O fundador do WikiLeaks esteve refugiado durante sete anos na embaixada do Equador em Londres para evitar a extradição para a Suécia, onde seria questionado sobre alegações de abusos sexuais sobre duas mulheres. Acabou por ser expulso daquela representação diplomática e detido pelas autoridades britânicas a 11 de abril.

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